M E D O

Passamos mais cedo ou mais tarde em nossas vidas, por um período de reformulação. Muitas vezes nem nos damos conta disso. Esses períodos quase sempre são proporcionados depois de algumas lágrimas derramadas e ameaças de um fim…

Um dos motivos que proporcionam essa reformulação é o Medo. Sim, ele mesmo. Medo de perder aquele amor, a liberdade, medo de perder a atenção, a aventura, medo de crescer, de abrir mão. Medo de tanta coisa que não dá nem pra nomear aqui.
O medo é uma sensação, um sentimento que nos paralisa ou que nos obriga a tomar alguma atitude. Através dele podemos nos fechar e ficar num lugar ou numa situação, paralisados. Ou então, nos mobiliza a entrar em movimento e buscar soluções para o que nos assusta. Sim, como em tudo na vida, o medo pode tanto se manifestar em nós de uma forma negativa e uma outra, positiva.

O medo na sua face negativa nos torna pessoas cruéis, capazes de falar coisas sem pensar – só para magoar o outro, como se isso fosse uma compensação pros sentimentos ruins que sentimos. Nos faz perder a cabeça, colocar as nossas necessidades em primeiro plano, e esquecer da realidade e da necessidade do outro. Só o que importa é “o que estou sentindo”, ” do que preciso” e “o que eu quero”. Nesse jogo cego, vamos sendo levados por sentimentos cada vez mais confusos e obsessivos, começamos a fantasiar realidades – que talvez nem existam, ou potencializar situações que outrora passariam desapercebidas.

Esse tipo de medo nos cria fantasmas nada camaradas, que vão lentamente povoando nossas cabeças e nos convencendo cada vez mais de coisas nada agradáveis…”Ele não deve gostar mais de mim, afinal não me dá mais tanta atenção…”, “será que ele não percebe que eu o amo? Por que então ele não me ama do jeito que eu o amo?” Questões desse tipo vão sendo imaginadas… E quando você menos espera, Puft! Joga na cara da pessoa todo o ressentimento que vem sentindo…todos os fantasmas que estão morando na sua cabeça…

O medo em sua face positiva é um verdadeiro salvador. Imagina só, se toda vez que sentimos medo de algo, saíssemos correndo da situação…que tipo de pessoa seríamos? Concorda comigo que nunca sairíamos do lugar, ficando sempre do mesmo jeito e com um problema a mais?

O medo pode nos mobilizar para colocar um fim em algo que não nos faz bem. Através do medo de perder alguém, podemos nos dar conta das bobagens que fazemos e que dizemos e procurar um meio para dar um fim, dentro de nós, nisso. O medo pode nos mobilizar a mudar de postura, de atitude, produzindo um maior auto-conhecimento. Quantas vezes nós percebemos o quanto fomos egoístas, ou o quanto estávamos erradas depois de perder algo? E só percebemos que o medo de perder isso contribuiu para esse fim, só no fim?

O medo racionalizado é esse medo positivo. Tem um papel de regulador para nos proporcionar um equilíbrio…Quando paramos para pensar O QUÊ realmente tememos, podemos descobrir que o outro talvez não tenha tanta culpa disso. O medo está dentro de nós, dentro das nossas atitudes. Muitas vezes, criamos situações e desconfianças para firmar esse medo, para deixar que ele apareça… Racionalizar esse medo, esse porquê é essencial, pois assim podemos dar-nos conta da necessidade daquilo…Qual a sua função em nossas vidas.

Proponho aqui uma auto-análise minuciosa… O medo pode ser medo de mudar. E mudar é viver. É evoluir… O que seria da beleza do mundo sem as lagartas que viram borboletas?

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  1. O medo realmente é uma força poderosa, e sendo usado sabiamente para proveito próprio pode-se tirar muitas vantagens, como foi muito bem colocado no texto.

    O medo perder alguém muito querido é na minha opnião o mais perigoso, quantas vezes movidos por esse medo não interpretamos mal alguma situação e isso acabou levando a alguma discórdia e eventualmente até a separação. Coisa que não aconteceria se o medo obssessivo não tivesse interferido.

  2. Uau! Thomas Hobbes visitaria seu blog se estivesse vivo. Ele que era fanzaço do medo como ferramenta de controle social (via nisso a sua forma mais positiva! ).

    Gostei muito do que você disse.

    Vai ver, o medo bom nos salva quando estamos errados e o medo ruim dá satisfação quando é vencido.

    (eu adoro estudar essas coisas de comportamento mas dificilmente penso nelas na minha própria vida. esquisito, né?)

  3. Estou com 27 anos de idade e até hoje nenhum dos meus relacionamentos resultaram. Tudo pelo medo. Tanho um medo obsessivo de perder a pessoa que eu amo. No início do relacionamento tudo é ótimo. Eu conquisto as pessoas e elas ficam fascinadas por mim. Mas com o tempo, meu amor vai aumentando e, junto com ele, o medo de perder a pessoa amada. Isso me torna insegura, cruel, desconfiada e profiro palavras duras. Convivo sempre com isso e não sei mais o que eu faço. Gostei muito do artigo, me fez refletir.


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