despertencimento
Janeiro 24, 2008
palavra longa
difícil de ser pronunciada.
“deixar de pertencer a algo gradativamente…” – racionalmente verbalizo.
é um perder-se lentamente… recolhimento do corpo como um caracol ou casco de tartaruga e andar sem rumo, pelas ruas…
observar as casas e calçadas…sentir o sol queimando a nuca… queimando aquele pedaço de pele reservado aos muito próximos e sentir-se extremamente só.
passar por entre roupas penduradas nas cordas ao longo das calçadas e perguntar-se por um momento o quão absurdo é passar por entre calças, saias e camisolas penduradas sob o sol do meio dia, sem sentir vergonha ou pudor por deixar a intimidade exposta desta forma…
talvez a intimidade também seja uma questão de perspectiva…
o barulho dos passos, a poeira que sobe… o coração acelerado ao ser exigido – subitamente – a bombear mais sangue, ruborizando a face ante o olhar da senhora com um centenário sofrimento.
despertencimento por localizar-se num cenário estranho à própria essência.
levo-me por entre ideais e valores. deixo que eles definam e me reconstruam.
dostoiévski me relembra: ‘como pode respeitar-se , por pouco que seja, um homem que se conhece a si mesmo?’ …
como não rir desse passo-a-passo…do passado… do cheiro de pão a me inundar o sentido… nesse caminho de regresso.
tomo um banho demorado.
escrevo estas palavras, sem buscar um sentido.
sentidos são previsíveis e direcionados… [e como me aborrece as pessoas com sentido... aquelas que teimam em explicar tudo definitivamente e não sabem sequer onde esqueceram a carteira ou relógio]
meus sentidos me inundam, definitivamente já me basta estes cinco, seis… que a natureza me dotou.
só por hoje, não sinto.
absorvo.
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1.
mars | Janeiro 24, 2008 at 3:58 pm
Por ser do escalão mais baixo, por pertencer a ralé…não posso dizer que você me deixa orgulhoso.
Porém se pudesse romperia as correntes da minha voz, além das que prendem meus pés e gritaria que você me deixa orgulhoso.
como pode, respeitar a sí mesmo aquele que se conhece, sem causar sofrimento e dor a sí a cada pensamento incompleto.
2.
thahy | Janeiro 24, 2008 at 8:47 pm
erros de concordância…
a voz q ressoa qdo penso não obedece regras gramaticais.
passo.
3.
Marcela Ortolan | Janeiro 26, 2008 at 4:48 pm
Eu estava precisando tanto ler algo assim… você não tem idéia…
obrigada!
beijos
4.
fabian | Outubro 3, 2008 at 10:00 pm
ela me fez vir aqui sem saber
5.
thahy | Outubro 3, 2008 at 10:20 pm
amo esse texto.