Ísis.
A mais ilustre das deusas egípcias. É representada à procura de Osíris, seu irmão-esposo defunto, que ressucita com seu sopro; ou aleitando seu filho Hórus; ou acompanhando ritos funerários. Ísis protege os mortos debaixo de suas asas e ressucita-os. Parece ter simbolizado, de início, a deusa do lar, por sua fidelidade e devotamento. Mas, depois de ter roubado, segundo uma lenda, o nome secreto do deus supremo, o Re, seu poder se estendeu sobre o universo, como poder divino. Todo ser vivo é uma gota do sangue de ísis. com efeito, tanto no Oriente Médio quanto na Grécia e em Roma, e em toda a bacia do Mediterrâneo, Ísis foi adorada como a deusa suprema e universal.
eu sou a mãe e a natureza inteira, senhora de todos os elementos, origem e princípio dos séculos, divindade suprema, rainha da alma dos mortos, primeira entre todos os habitantes do céu, os sopros salutares do mare, os silêncios desolados dos infernos, sou eu quem tudo governa segundo a minha vontade [citado por Serge Sauneron em Dictionaire de la civilisation égyptienne, Paris, 1959, pag. 140]
Em todos os circulos esotéricos, ela será considerada como a iniciadora, aquela que detém os segredos da vida, da morte e da ressureição. A cruz ansada (ankh) ou o nó de ísis são os símbolos dos seus poderes infinitos. Nas religiões fundadas nos mistérios, dos primeiros séculos da era cristã, encarna o princípio feminino de toda fecundidade e de toda transformação.
Osíris
Deus egípcio, primeiramente deus agrário, simbolizando a força inesgotável da vegetação; depois
identificado com o Sol, na sua fase noturna, ele simboliza a continuidade dos nascimentos e renascimentos. Osíris é a atividade vital universal, quer esta seja terrestre ou celeste. Sob a forma visível de um deus, ele desce ao mundo dos mortos para lhes tornar possível a regeneração e, por fim, a ressurreição na glória de osíris, porque todo morto justificado é um germe de vida nas profundezas do cosmo, exatamente como um grão de vida no seio da terra [CHAMPDOR, Albert. Le Livre Des Morts, Paris, 1963. Pag. 17]
Tornou-se o deus cultivador. Encerrado num cofre por inimigos invejosos e por seu irmão Set, lançado depois nas águas do Nilo, ele será objeto de uma procura, como o Graal na Idade Média. Mutilado, despedaçado, ressuscitado pelo sopro das duas deusas Ísis e Néftis, frequentemente representadas com grandes asas, ele simboliza o drama da existência humana, destinada à morte, mas triunfando periodicamente sobre a morte. E ocupa um lugar importante nas religiões de mistério, como deus morto e ressuscitado. Na iconografia egípcia, é com mais frequência representado com seus três atributos: o cetro, o chicote, o bastão de longa vida, semelhante a um raio de sol.
Segundo a lenda egípcia, depois da morte de osíris, o corpo do defunto flutuou sobre o nilo e foi despedaçado; mais tarde, ísis reuniu todas as suas partes, com excessão de uma, o pênis, que um peixe engolira. Este detalhe, geralmente negligenciado nas interpretações do mito, possui entretanto a maior importância. Um texto religioso do antigo egito atribuirá a Osíris o dom da agricultura no vale do nilo. A germinação das plantas está ligada a uma decomposição, assim como uma vida nova a um aniquilamento prévio. Se o grão não morrer… O peixe que engole o pênis é igualmente considerado como iniciador, aquele que conduz a uma vida nova. Discerne-se desde então a ideia consciente de que o cadáver é como um pênis castrado ou que tenha perdido seu fluido seminal, comparável a um grão seco. As libações fúnebres o ajudarão a reencontrar seu fluido vital no outro mundo, assim como o grão umidificado na terra renasce sob a forma de uma planta [FRAZER, J-G. Le Rameau d'or, Lafont, Paris, 1981, pag XXV] A morte aparece como a castraçao final da vida, mas também como a condição que torna possível uma outra vida. Leia o resto deste post »
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