Chesed de Chesed

  • Qual é minha capacidade de amar outra pessoa?

Sinceramente desconheço qual é a minha capacidade de amar outra pessoa… Falo de alguém ‘de fora’, que não é da minha família, que não é do meu sangue… Até o momento, tive algumas vivências que me fizeram extremamente bem… e outras que deixaram cicatrizes bem visíveis. Não sei portanto se, a minha capacidade hoje está abalada pelo medo da mágoa, do auto-engano… de fantasiar uma realidade e acreditar nela. O que vivo no momento é uma verdadeira aposta no acaso, no desconhecido. Não sei o que virá e muito menos o que esperar… Mas estou disposta a pagar o preço… mesmo sentindo muito medo ainda.

  • É difícil para mim deixar que outra pessoa entre em minha vida?

Sim, é muito difícil. Aliás, tenho certeza que cada pessoa que me conhece, conhece um lado meu… Acho que ninguém me conhece realmente pois nunca me mostro por inteiro. O medo da entrega… e o medo de demonstrar minhas fraquezas é tão grande, que sempre visto a máscara de ‘forte e independente’ para assustar quem queira se aproximar… medo de que saibam que na verdade… sou muito amorosa, muito carente e cheia de medos bobos… pequenas bobagens, como dormir com o bichinho de pelúcia, ou desenhar corações no caderno quando não se pensa em nada… E a quanto tempo não choro… Nem lembro quando foi a última vez… às vezes sinto que algo muito bonito em mim morreu… quando terminei o noivado… foi meu primeiro namorado sério… o meu filho é fruto desse amor que vivi… foi uma relação inocente, de planos, de pequenos momentos de felicidade extrema…sorrisos e sonhos… quando percebi que vivi um sonho… a realidade tornou-se bem amarga [e o príncipe, um sapo]… então, me fechei realmente pra esse tipo de inocencia, de entrega… de permissões. Hoje procuro racionalizar ao máximo possível o que vivo, para não me permitir sonhar… apaixonar-me e entregar-me novamente por inteiro…

  • Tenho espaço para mais alguém?

não sei… se essa minha mania de relacionamentos a distância é realmente uma forma de ter alguém… ou se é medo de realmente estar, conviver. no momento não sinto necessidade de me compartilhar com mais ninguém… então não tenho espaço para oferecer… e muito menos para ser cobrada… exigida.

  • Concedo lugar para outra pessoa?

conceder…no sentido de abrir mão? disponibilizar? … sinceramente, quero que as pessoas que amo sejam felizes… estando comigo ou não… sabe, hoje em dia aprendi a reconhecer quando algo deve ser abandonado…como sou bastante competitiva, reconhecer que não sou suficientemente boa ou bastante ainda é um golpe no meu ego… no dia que conseguir, abrir mão de um amor… quando conseguir conceder um lugar que não prezo ocupar, neste dia obterei minha maior vitória…

  • Estou temeroso de minha vulnerabilidade, de abrir-me e de ser magoado?

Sim, muito. Por isso que sei que ninguém me conhece por completo. O meu potencial de entrega… nem mesmo a pessoa que vivi por tantos anos… tenho algumas cicatrizes… Acho que de um certo modo criei uma muralha de auto-proteção que protege, mas me mata por dentro… quanto mais me torno a mulher admirável e forte, mais me torno também alguém medrosa… saudade de um colo, cafuné e um sonho de valsas…

  • Como expresso amor?

através de palavras… de carinhos… abraços, beijos… só sou realmente carinhosa com quem amo… só me permito abraçar e ser abraçada por quem confio… o toque ainda é algo muito difícil para mim. geralmente sou muito expansiva, mas não gosto que pessoas desconhecidas me abracem, beijem… talvez por isso tenho fases ‘anti-sociais’ tão intensas… mas quando estou em contato com que amo… sou extremamente carinhosa, bobona, melosa… expresso também através do cuidado…da super-proteção… me sinto responsável pelas pessoas que realmente amo… é uma questão de honra pessoal protegê-las.

  • Sou capaz de comunicar meus verdadeiros sentimentos?

acho que não… pois muitas vezes falo o que PENSO e não o que SINTO. Por estar tão acostumada a usar a máscara de ‘forte e independente’ acabo sendo racional demais e matando um momento fofuxo onde deveria ficar caladinha e só receber carinho e atenção…

  • Refreio expressões de amor por temer oa reação do outro?

muito. por ser expansiva, tenho medo que a pessoa pense que aquilo é uma declaração de amor… quando é somente um agradecimento pela forma que ela me faz sentir o mundo. muitas vezes, deixo de dizer um ‘eu te amo’ por medo da pessoa achar que aquilo é um pedido de casamento ou uma palavra jogada ao vento… então, prefiro ser mais sarcástica e mandar minha expressão de amor nas entrelinhas…

  • Ou pelo contrário: expresso demais, cedo demais?

expressava demais, cedo demais, era muito passional, muito expressiva, muito INTENSA. Aprendi a ser mais fria, mais calculista e, consequentemente, mais infeliz.

  • Os outros entendem mal minhas intenções?

boa pergunta… não sei… algo para averiguar. Mas creio que sim. Algumas pessoas que gosto deixaram de falar comigo… não sei direito a razão… a verdade é que ando de saco cheio de ter que ficar me explicando… então… ahhh, quer saber?! que se exploda. cada um entende o mundo da forma que quer.

  • A quem eu amo?

meu filho, meus pais, meus irmãos… meus animais de estimação, meus livros, meus cadernos, minhas músicas… amo meu amor… alguns conhecidos… amo minha história.

  • Amo apenas aqueles com quem me relaciono e que se relacionam comigo?

e como amar alguém que não se relaciona comigo? parto do princípio que amor é reconhecer no outro algo de si. então… Não concebo a idéia de amar alguém sem se relacionar com essa pessoa.

  • Tenho a capacidade de amar um estranho, de emprestar uma mão amiga a alguém que não conheço?

Não. Consigo sentir empatia, compaixão. Mas amar, amar… mesmo não. Nunca tive ídolos, não fui uma adolescente fanática e apaixonada por determinado ator ou cantor… é difícil para mim expressar amor por alguém que é totalmente estranho a mim.

  • Expresso amor apenas quando é cômodo

Acho que expresso muitas coisas, que muitas vezes são compreendidas como ‘amor’… então, não sei viver de outra forma… algumas pessoas me acham bem amorosa, bem carinhosa… então expresso sempre esse comportamento – apesar de reconhecer que não é o meu ‘amor, amor’ 😉

  • Por que tenho problemas com amor e o quê posso fazer sobre isso?

aprendi a não confiar e a sempre me proteger. não sei o que posso fazer, mas escrever já me ajuda…desabafo e falo sobre isso nas entrelinhas… quando se passa por algumas situações, onde amadurecemos antes da hora e nos trancamos em nosso mundo… fica complicado encarar a vida na mesma perspectiva dos demais… então, a cada dia descubro como resolver meus problemas com o amor… mas olha… só em admitir que preciso de colo e cuidado já é um enoooorme passo… sei que quero um amor que sempre me traga bombons quando estiver mais estressadinha… isso faz um bem danado.

  • Meu amor inclui os outros seis aspectos de chesed, sem os quais o amor seria distorcido e incapaz de se realizar verdadeiramente?

ainda não inclui. a maior prova é que ainda não consegui amar verdadeiramente alguém. meu ex, sempre dizia… em muitos momentos tristes de brigas e lágrimas: ‘ eu te amo thahyana. mas até hok você não aprendeu a me amar. você não me ama… eu tenho plena consciência que o que sinto por você é maior e bem mais forte do que você sente por mim. Você é egoista e não deixa que eu te conheça e te ajude. No dia que você sentir isso por alguém, verá que eu tenho razão”… Aí lembrei de um trechinho de uma música do legião… “quando você deixou de me amar, aprendi a perdoar… e a pedir perdão…”

precisei aprender a pedir perdão para me libertar de tantas coisas…

espero que possa realizar o amor verdadeiramente. sem distorções, sem falsas expectativas e castelos nas nuvens.

um brinde ao acaso e à vida.

amém.

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