Tiferet de Chesed [Compaixão, Harmonia na Bondade]

compaixão…

harmonia…

nossa, como é complicado encontrar esse ponto de equilíbrio.

sabe, existe uma alegoria egípcia que amo. Segundo o livro dos mortos, após o mesmo percorrer diversas provações no pós-vida, e após atravessar 42 portões e afirmar de maneira convicente diante de cada um dos 42 deuses guardiões, os atos que não praticou em vida, ele chegaria ao último portão: o de Osíris, [divindade máxima] para ter seu coração pesado na balança, por Anúbis.

No ‘julgamento’, o deus Anúbis, faz a pesagem do coração, depositando-o no prato à direita [para os egcípcios, o coração era a sede da consciência e lá ficavam registradas suas ações na terra]. No prato à esquerda, era depositada uma pena, símbolo da deusa Maat [deusa da verdade, da justiça e da harmonia universal]. à direita de Anubis, o deus Toth anota num papiro os resultados da pesagem.

Se o coração pesasse mais do que a pena, ele era imediatamente condenado a uma segunda morte – dessa vez definitiva – pois seria devorado por uma besta com corpo de crocodilo, leão e hipopótamo [esses deviam ser os animais preferidos pela seleção natural no delta do nilo ^^].

Se o coração pesasse menos do que a pena, Osíris perceberia que o morto não aproveitou os prazeres da vida [ Esse povo sabia viver! ], não sendo digno para cruzar o último portão.

Agora, se o coração pesasse o mesmo que a pena, o morto estaria apto para cruzar o portão de Osíris e poderia desfrutar o pós-vida… Afinal, conseguir viver uma vida de equilíbrio e harmonia com a própria consciência não é pra qualquer zé mané, não 🙂 .

Ou seja… de nada adiantava viver uma vida asceta, cheia de proibições, de pecados e culpas [traduzindo: não aproveitando os prazeres da vida por medo do julgamento final]… pois isso não era VIVER! Não era desfrutar a humanidade! Eles tinham uma forma fantástica para exprimir a responsabilidade pessoal pela própria vida. [sartre ficaria orgulhoso se fosse egípcio… a milênios atrás… eh leh leh] Ao ser responsável pelos atos cometidos em vida, cada um saberia qual era o destino reservado do lado de lá.

Aí fiquei pensando um tempão… harmonia é justamente isso… é saber equilibrar o que se deseja, o que se faz… de acordo com o que se quer, o que se tem vontade. Mas claro, respeitando a outra pessoa, sua dignidade e integridade física, moral, mental, etc.

É isso que mais me atrai numa relação a dois… essa busca por um ponto de equilibrio… onde os atos são extensões do desejo… e as consequências são deliciosamente degustadas… pois é algo que faz bem aos dois.

harmonia, compaixão na bondade… “compaixão é também oferecer amor àqueles que o magoaram”… é fácil perdoar? depende do que está em jogo, não é mesmo? e quando o que está em jogo é uma consciência tranquila… um coração equilibrado… então creio que é um preço digno para se pagar… engolir o orgulho e perdoar ou pedir perdão… [foda é engolir o orgulho… hehe… humana, demasiada humana ainda 🙂 ]

Quem sabe com o amadurecimento não alcanço essa harmonia? Sei que para chegar no ponto que desejo… ainda precisarei aparar algumas arestas… mas, tô caminhando… ajeitando minha estrada, plantando minhas flores ao longo dela… quando meu coração for pesado, tendo como contrapeso a Verdade, quero ler no papiro de toth o seguinte escrito: “ela viveu, chorou, amou e gargalhou da melhor forma que poderia. está em paz com a vida que desfrutou”. Rá! 😀

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