Eu sei, não precisa me dizer: Eu sou uma pessoa que pensa demais… penso sobre tudo, depois despenso tudo pra repensar mais tarde aquilo que não quero pensar agora… envolta em tanto pensamento, me deparo com o JN, aquela musiquinha típica e, em seguida, com uma notícia cruel e empacotada, vomitada pela boca – provavelmente perfumada – do apresentador. “O assassinato de mais um policial militar por bandidos do XXX”. Depois aparece algum empaletado do governo dizendo que já estão pensando em criar algum projeto ou plano de ação contra esse absurdo, os editores do jornal lembram de montar na edição da matéria-pronta, matéria mastigada e cuspidinha, as condições sobre-humanas das cadeias, a superlotação, etc. Os empacotados (com suas respostas prontas)falam, de modo convicente sobre o ‘desenvolvimento de projetos de assistência a esses marginais’.

E você, alienado que assiste a esse telejornal acredita. Porquê não é o seu pai ou seu tio que foi assassinado. E não é seu irmão ou filho que está lá na cadeia, participando de um desses motins. Você prefere aceitar tudo de modo passivo “são coisas do brasil. é um processo cultural e histórico. são 500 anos assim. somos o país do futuro. bla bla blá”.

Ah, Bah! Faz-me o favor, né?

A alienação é geral, e independe de nível intelectual e anos de estudo. Um doutor Phd pode ser tão alienado quanto o pedreiro que bebe no bar e fala da bunda da gostosa. Talvez porque ambos não percebem a tênue linha de interligações sociais, de como uma ação minha interfere em outra, e em outra. Geralmente, só enxergamos o mundo a nossa volta depois de sermos alertados por meio de algo tão brutal, assassinatos, guerras tolas…- e isso dura até o próximo quadro. onde se segue uma notícia bonitinha e agradável. Talvez sobre os pandas na china e sua extinção. óhhh. Tadinhos.

Em seguida vem a novela, e tudo aquilo que vc tinha sentido, o lampejo de indignação, o gérmen de alguma mobilidade vai para o esgoto. Pois no café da manhã do pobre da novela, tem manteiga, pães, geléias e croissants também. Você acredita e sonha. Porquê não? Sonhar com uma vida fácil assim. Saber que você sofre um pouquinho e no fim, casa com quem você conheceu e se apaixonou à primeira vista – de preferencia alguém de posses e lindo(a), não é?

Voltando, voltando…vem cá, o mundo está mais violento? As pessoas estão mais ‘desumanas’? Acredito que não…a conscientização, os direitos humanos é que mudaram essa concepção… mas e na prática? Ou vai me dizer que um preconceituoso, maldito neofascista, que tem a coragem de atingir outro ser humano com um taco de basebol e matá-lo tem algum entendimento do que os direitos humanos significa? Será que nossos governadores, políticos, deputados, vereadores e prefeitos tem alguma consciência deles? Em sua grande parte? E pq não aplicam na prática? E pq não se preocupam em dar melhor educação e saúde para as crianças, jovens? Tão o que? Esperando uma bomba atômica explodir? Pra destruir com tudo, pois os coquetéis molotov estão explodindo em doses homeopáticas, sob a forma de violência, assaltos, estupros e o diabo a quatro.

Será que eles crêem que estão protegidos dentro de seus carros blindados e seus 10 seguranças? Poxa, não adianta fechar os olhos e fingir que não vê! Não ADIANTA MESMO! Já planejei, e quando puder, irei montar um abrigo, com comida, atendimento – nem que seja para conversar com essas pessoas, quem sabe passar um pouco de calor humano, esperança – e humanidade. A criança flanelinha de hoje, pode ser o presidiário de amanhã. E o indigente na esquina. Já mencionei que perdi a fé na humanidade, mas não posso perder a fé em mim e nas pessoas de bem. Por isso, já que os “GRANDES” não fazem a parte deles, só pensando no salário gordo de político que recebem, eu vou fazer a minha. Lembro-me que quando criança, quando ia ao centro com meu pai, sempre ficava triste ao ver aqueles velhinhos pedindo esmola…magros, sujos, com fome… o que nunca me esqueço é do olhar de todos…um olhar cansado, apático…de quem espera o dia, o dia da própria morte… eu que, nesse ponto, concordo com a visão espírita sei que estão nessa condição devido aos próprios ato, outras pq precisaram passar por isso para poder evoluir… Mas eu, como pessoa e ser humano não posso fazer minha parte, na busca do meu crescimento espiritual também?

Por isso acho o máximo, a máxima do espiritismo: “sem a caridade não há salvação”. E é disso que precisamos para tornar-mo-nos mais humanos: sermos mais caridosos, e agirmos para o bem do próximo… Outra coisa que sempre lia no ônibus que pegava para ir pro meu colégio: “faça o bem sem olhar para quem”… coisas tão simples que a gente pode fazer, e que não damos o devido valor… as vezes um sorriso, um olhar generoso, uma conversa é tão rica em felicidade, em doação… e não é difícil fazer. Não é difícil abrir os olhos e se doar…

NÃO É DIFÍCIL.

não minta para você mesmo.