Hoje tô rindo do texto escrito no momento de raiva…
e já refleti bastante sobre a situação.
Sinceramente o refrão do Buarque vai ficar:

“educação, educação e educação”

Vejamos exemplos como a China… é o investimento na educação (e o controle do estado) que garantiu a esse país um lugar de destaque no panorama global. Só se sai do buraco social e do precipício das promessas de futuro quando é feito um investimento maciço, contínuo e de qualidade na educação: É através da valorização da mesma que se pode esperar uma sociedade com cultura, com dissernimento e mais do que tudo, com senso de auto-crítica.

Acredito na máxima Kantiana: “o homem é lobo do próprio homem”. por acreditar nela, creio que é necessário esse exercício cultural para que questões primárias de reforçamento: sobrevivência (sexo e alimentação) sejam superadas para passarmos ao próximo nível: a do reforçamento secundário. Onde após um investimento a longo prazo obteremos o reforço.

Para quê afinal passar oito anos na escola se não se é explicado a importância do estudo: que isso o diferenciará dos demais e que com estudo, com conhecimento e com crítica se pode mudar a realidade vivida e a dos seus.

Para quê e com quê prazer um indivíduo vai passar boa parte do seu dia numa sala de aula sucateada, com professores com cara de bocejo e a barriga roncando de fome? Se é mais fácil ir pedir dinheiro no sinal (de dez em dez centavos se arruma uma graninha pra cheirar cola e enganar o estômago) ou então roubar diretamente e ter em mãos 100, 200, 500 reais.

Não estou dizendo aqui que eles são seres inocentes, que não sabem o que fazem. Estou afirmando que vivemos um problema cultural. Temos sim quinhentos anos nas nossas costas de falcatruas, de nepotismo, de meias-verdades empurradas para baixo do tapete. Esse maldito jeitinho brasileiro tão valorizado, cantado e comemorado é na verdade a prova maior da nossa corrupção histórica. Como podemos brandar e gritar contra o mar-de-lama se nós mesmos somos corruptos?! Quem denuncia o caso extra-conjugal da patroa ao seu marido?- preferem chamá-lo de corno às escondidas e rir da cara do coitado. Quem ao ver uma nota de 50 reais caindo duma bolsa devolve ao seu dono? – guarda na carteira e comemora o desleixo da dona. Quem recusa a oferta de ter um ponto extra de tv a cabo, proposta pelo instalador por 20 reais? – “rapaz foi uma pechincha. te passo o número do instalador, se quiser também”

São pequenas corrupções cotidianas que nos torna coniventes com todo o absurdo ao nosso redor.
Só se muda a cultura com educação.
E só se sai do buraco com estudo.

Mas como confiar num país onde ministros, senadores, deputados, vereadores e até mesmo ‘presidentes’ são eleitos por carisma. Onde são mantidos em cargos e funções por laços de interesse e amizade?! Onde eles próprios sabem que precisam apoiar porquê senão perderão esse emprego?

Quem não gostaria de ser político nesse pais?

Quem quer investir no reforçamento secundário e após um looongo prazo começar a colher os frutos do seu esforço e dedicação?

Escolas e Universidades sucateadas. Pouco investimento em pesquisa. Baixos salários.

Talvez a maior virtude do brasileiro seja realmente o seu jeitinho de resolver as coisas.

Para mim, porém, isso se chama roubo.

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