Almoço de sexta… resolvi fritar umas batatas para almoçarmos… aliás, a sexta em si foi um barato: minha irmã preparando um macarrão parafuso com molho, se enrolando toda e se sujando com os temperos… eu, com a faquinha na mão, cortando as batatas e de olho nos pleincs-ploincs-tuns do gustavo no quarto. Coloco-as no óleo quente, ouço aquele ShHhHSshSSssSHSHSHs divertido, quando olho pro lado cá está, o baixinho sentindo o cheirinho e dizendo: – mãaaeee?! É batata frita?! HmMmM!!!

– é sim Gu… só vai demorar um pouquinho…é pro nosso almoço

oobaaa! Eu adooooro batata frita! Vou sentar aqui e esperar!

– Ta bom, gu… você não quer ajudar a mamãe e a tia inhái?!

– quero! Mas eu sou muito pequeno… vou ficar olhando…

– apanha pra mamãe esse pano que caiu… e aquela almofada também…

– babablá babablá (gesticulando com a mão)

– que é isso, menino?!

– a minha mão, dizendo blábláblá pra você!

– Olhaaa que te coloco de castigo!

– Ta bom, ta bom… pronto mãe, apanhei!

5 minutos depois

– Mãe, a batata já ta pronta?

– Ainda não, gustavo…é pro almoço.

30 segundos depois

– Mãe, me dá uma batata?

– não bebê…já te falei

10 segundos depois

– Mãe, batata…

5 segundos depois

-Mãezinha, me dá uma batata?!

3 segundos

– manhêeeee?! Eu quero uma batataaaa!

2 segundos depois

– Mãe, ta me ouvindo?! Batataaa!

1 segundo depois

– Mamãe, eu te amo… me dá uma batata?! Porrrr favor?!

– Ahhhh…hahahaha…toma uma batata! Mas só essa…

p.s.: até parece que foi só aquela… antes de todas fritarem, ele deve ter comido escondido umas dez… quando eu olhava, lá tava ele com a carinha de ‘não sei, não vi, não ouvi nada’ …aiai, esse moleque…

p.s.: eu me senti uma ratinha no laboratório…