Desceu as escadas com o coração abafado pelo tac-tac das sandálias. ‘Lembre sempre de respirar’, este era o seu mantra. Envolveu o trinco do portão com suas mãos delicadas e olhou o anel de estrelas e sois dourados que usava no anelar. ‘Tanto tempo já faz… Tudo de novo agora… Agora!’. Abriu o portão e seu sorriso irradiou como um espelho no rosto do querido de outrora.

Ele dirigia o carro como sempre. Ela permanecia sorrindo, falando de amenidades e dos dias que passaram desde então. ‘Realmente mudamos muito’ Pensavam os dois em segredo. A mão dele tocara sua coxa. Que paz ela sentiu. O mundo parou por um segundo eterno. Sua mão tocou seus cabelos enquanto dirigia. ‘Era ela, sempre fora. Mas seus olhos mudaram’ Pensou.

‘Ainda preferes uvas a maçãs?’ – perguntou baixinho no ouvido dele. Sorriu largamente – Como ela havia esquecido de seu sorriso?!

‘Ainda…’ – respondeu. Aquelas perguntas… Tão dela.

O silêncio. O sinal fechado. Ouvia seu rosto vermelho. Virou-se e o mundo transmutou prum rubi lapidado. Língua quente e beijo. O beijo… já não conseguia ouvir-se. Era o beijo… beijo deles, tão cheio e vermelho. Cerejas nos dedos, pontas dos dedos.

Verde, o sinal abriu…

(continua…)

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