O Tof Tinha 13 anos… era um dos meus cachorros… Cheguei ontem de viagem e estranhei. Ele sempre vinha me receber todo alegre… Logo minha tia avisou-me que ele estava morrendo. Fui até a varanda, lá estava ele deitado…abanou a cauda quando me viu…fiquei um tempão lá com ele, acarinhando o focinho e a bochecha… a respiração pesada, o olhar parado começando a perder o brilho…ficando esbranquiçado…

Imediatamente lembrei-me do dia que o achamos. Era um filhotinho e estava abandonado e sozinho… Lembro que eu e meus irmãos o escondemos por uns dois dias, com medo que nosso avô [eram férias de julho] mandasse que nos livrássemos dele [que pensamento mais mafioso… ‘despacha o presunto corly’] Voltando…

Quando descobriram a nossa farsa já não tinha mais jeito: os três já se encontravam super apegados àquele cachorro que mais parecia uma bola de pelo cor de mel. Na época tinhamos um labrador dourado lindo…o Dick (é, dick tracy 😉 ) os dois eram uns lords… Educados, brincalhões… O Tof tinha uma coisa engraçada…aquele olho bem marcado de preto…como se fosse um faraó… ele era meio exagerado, quando abanava a cauda o corpo inteiro se sacodia… [lembro que comecei a chamá-lo de tof pelo barulho que fazia quando eu apertava ele no modo felicia on… tof tof…foi uma bolinha de pelos até o fim]

Quando criança, eu e minha mana pegávamos a nossas bikes [com cestinhas, bem menininha] ela tirava umas flores do jardim da vó e colocava na cestinha. Claro que o tof estava lá, para completar a cena… Bons momentos…

O Gu pode aproveitar um pouquinho do tof… quis atropelá-lo com a motinha umas centenas de vezes…ele com aquele olhar sábio que só os animais possuem levantava uma orelha, olhava pro gu… acho que meu guri entendia o recado e dava meia-volta…

Presenciar a respiração pesada… o olhar esbranquiçado, já sem vida… e o suspiro final foi algo tão intenso e absurdamente belo de triste. Depois de um segundo o Tof deixou de existir.

Vê-lo morrer foi ver um pouco da minha vida em retrocesso… Talvez por isso a morte nos atinge tanto… Quando nos deparamos com a morte de algo/ de alguém somos obrigados a NOS colocar em perspectiva… a encaramos a nossa mortalidade… afinal, é a nossa única certeza… somos concebidos, nascemos, crescemos e morremos…

Por isso que, vê-lo morrer foi a maior experiencia que presenciei até aqui. Um ser vivo que acompanhei por 13 anos… Toda a vida e alegria que ele representava está agora na minha memória e nessas poucas e superficiais linhas.

Por isso… não estou triste… só contemplativa. Não devemos temê-la… ela é o grande milagre da vida.

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