vamos lá, pense comigo…

quantos livros, filmes, quadros, textos, hqs, músicas possuem o amor como tema central?

quantas igrejas, religiões, seitas, instituições tem o amor como uma obrigação para si, para o próximo, para com deuses?

quantos advogados enriquecem com os casamentos civis e suas possíveis [e prováveis ] separações jurídicas?

em suma: o amor é um monopólio. só não sei de quem.

Já parou para pensar em todos aqueles momentos de tristeza, quando você se sente sozinho no mundo? onde você amaldiçoa o amor por não te encontrar? Você olha ao redor, os passarinhos cantando e os casais beijando-se apaixonadamente na pracinha? claro que você não sabe que ela trái o esposo e ele a amante

Mas vem cá… vai me dizer que você nunca amou alguém tão intensamente por um segundo sequer, e depois aquilo passa? Já machucou, magoou, foi magoado…

existem pessoas que ficam nesta mesma sintonia de mágoas e magoações, sendo isto tudo o que elas sabem sobre o amor e como amar.

existem pessoas que por medo de encarar a própria solidão, encontram outra pessoa vibrando assim, na mesma sintonia, e passam a ser um casal de zumbis medrosos, unidos um ao outro por medo e experimentando uma solidão a dois devastadora.

existem aquelas – e me encaixo nesta categoria – que sentem as pessoas como músicas.

Cada uma possui um ritmo específico, cheia de acordes, de movimentos, de sentimentos, vibrações… E quem gosta de música, gosta de ouvir muita música… se encanta por aquela nova melodia que toca, ouve a já conhecida muitas e muitas vezes, sem enjoar. Mas, a pessoa sempre será um ouvinte. Não terá interesse em aprender a tocar a melodia, a compreender como ela se compõe, reconhecê-la em cada acorde e compreender seus múltiplos significados. É como dizer-se um amante de música e conhecer somente uma boa banda…e morrer cantarolando o trechinho da música que mais se ama. Pessoas assim, que vibram nesta sintonia querem conhecer muitas músicas, ouví-las intensamente, voltar a gostar da melodia após um longo período de abuso, ou nunca mais tocar determinado estilo musical no music player.

Existe tanta gente vivendo e sofrendo e morrendo por ‘amor’… sempre me pergunto o porquê disso. Exemplo: o amor que sinto pelo meu filho…é tão intenso que dói. Dói mesmo, de dar um aperto no peito e nó na garganta…com direito a lágrimas.

Agora…será que o ‘amor’ monopolizado como uma obrigação a todo ser humano ocidental do século XXI, não tem um quê de obrigação social? Afinal: estar casado, solteiro, divorciado, na gandaia é praticamente uma definição do caráter de alguém!

E como existe um mercado por trás da ‘proposta da felicidade eterna quando se ama’… Como existe gente culpada nesse mundo por não estar apaixonado! É uma manipulação absurda [com muito dinheiro envolvido], na venda das ‘píluas da felicidade’…seja o álcool, os antidepressivos, o viagra, a rave sem fim, etc. Como existe gente infeliz se obrigando a sentir algo que não sente!

Pare pra pensar: será que você procura um amor pois sente necessidade de um cúmplice, um parceiro, um comparsa [para as bobagens fofas e deliciosas do amor], ou procura por quê é preciso amar para ser feliz [e ter uma vida de comercial de margarina] ?

Desse amor monopolizado fiquei de mal definitivamente.

Ah como eu amo uma boa e deliciosa música. Uma de cada vez, para conhecê-la, sentí-la. Depois outra, outra, mais uma… e morrer… cantarolando alguma… talvez de ninar [talvez a única e verdadeira melodia que me dá o aperto no peito, o nó na garganta e lágrimas…]

[obrigada querido mr. wolf pela definição😉 ]