língua de fogo
em pele de gelo
perco o tino
– último suspiro.

gelo na pele
a língua derrete
água que jorra
se perde

caminho que percorre
estrada que vai
amor que morre
morrendo vai

caminho sem volta
água evapora
olhar que não se olha
– olha o abraço do mar

o rio faz a onda
voltas indo e vindo
serpenteando pela trilha
trilhando o caminho

sigo rumo não sei onde
onde vou não sou mais
meu caminho voltou
voltando se foi

não sei de nada mais
cabe ao destino
que decisão tomar
– sinto, deus meu, medo.

do caminho já escrito
estou perdida nestas linhas
linhas, não entendo
meu suspiro, sustenido, inaudível

O tino. preciso. recuperar

sabe-se lá onde vou
procurando o coração
com o sangue confundindo veias

nestas voltas de mar em mar
rio brando que jorra
que se transmuta sem parar
me leve pra onde bate meu peito

assim, sem cessar.
socorre-me água minha
vida vindas do meu amor
socorre-me pois esqueci qual rumo navegar.