cada um tem seu destino.

as coisas, quaisquer coisas, também o tem.

aqui começa um jogo.

porque escrever é uma misteriosa cartada.

é arriscar sem a preocupação de lucros ou recompensas

(falo dos poetas, pensadores e místicos).

só pelo prazer inaudito de jogar,

o prazer que é atributo ou artimanha do Louco.

Divina insensatez,

quando o senso está mesmo fora de páreo.

reverberação da mente,

ou foi o gênio que varou e saltou fora do espelho?

o abismo não existe,

o fantástico, sim, é que é real,

a intuição é maior que o raciocínio,

a imaginação é o único caminho –

uma estrada sem fim.

são limitados os outros caminhos:

“a sabedoria é irmã gêmea da loucura”.

na tábua dos mistérios e símbolos está correndo,

faz muito tempo,

o jogo.

a vida só poderia ser mesmo esse imenso cassino,

sempre às escâncaras.

jogo frequente, autorizado.

e por não ser proibido nunca vai ser fechado.

cartas na mesa.

o pano é verde,

a relva do chão continua verde,

a esperança é da cor da relva.

incessante a busca

– anseios e voltas -,

não há desistência.

o jogo é como o vento que sopra pra onde bem entende,

só não entende por que há tanto tempo sopra.

sou um jogador sem medo.

somos todos jogadores.

uns menos e outros mais hábeis,

tentando a sorte.

e ter sorte é desvendar o seu próprio destino,

incógnita.

o desconhecido.

palpites díspares.

façam o jogo, porque o importante é prosseguir jogando.

é preciso cada vez mais apostar.

(…)

[raul de xangô]

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