Certa noite, após ter conhecido a importância da noite e da lua em uma conversa com o Sol, o menino azul contou uma história para sua mamãe dormir.

A história era mais ou menos assim:

“Era uma vez – quando eu não era um bebê – um planeta todo azul. Nesse planeta, eu era grande e tinha um amigo também azul: voávamos por todos os lados e nos divertíamos…Até que, o meu amigo chegou e disse: “você vai nascer num outro planeta azul.”

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Sua mamãe continuou a história:

Azul ficou muito triste, pois não queria deixar aquele mundo: sabia que dentro de alguns meses não poderia mais voar sem preocupações, pois teria obrigações e responsabilidades. Em seu mundo azulado eles só se divertiam, tomavam banho de sol e acompanhavam o movimento dos astros no céu.

[Engraçado que no mundo de Azul, as constelações eram diferentes e todas as cores que aqui existiam lá recebiam outros nomes, que para nós, humanos seriam mais ou menos assim: paz, alegria, tristeza, esperança, dor – numa infinidade de combinações e novos tons-palavras que coloriam todo o planeta de significados]

À medida que aproximava o dia da concepção, o menino começou a ter medo de ser aprisionado num corpo: não lembrava ao certo como era aquele mundo, mas lembrava-se do aprendizado e provações que já havia colhido por lá. Despediu-se do amigo e – antes que pudesse sentir – já estava imerso num mundo rosa-avermelhado… um tum-tum compassado o acalmava e sons que não conhecia eram a sua trilha sonora.

De vez em quando azul sentia-se entristecido… n’outros seu coração humano batia forte, deixando-o muito alegre e animado. À medida que os dias passavam, aquele mundo rosa-avermelhado começou a ficar muito pequeno, apertado… o tum-tum que estava acostumado já se misturava com os sons que viam daquele mundo além do que conhecia: o mundo das sombras.

Numa certa noite Azul percebeu que o tum-tum ficava cada vez mais forte… novos sons eram re-conhecidos e a criança foi atingido por uma luz branca forte e intensa. Preso em seu novo corpo humano, ele pode – pela primeira vez em muito tempo  chorar e, nos braços daquela nova mamãe, ele pode recuperar a calma e acalento que o tum-tum compassado o propiciara.

Azul só pode nascer nesse mundo humano, quando soube morrer naquele antigo.

existe um mundo de novas descobertas e aprendizados por aqui… talvez ele lembre do que aprendeu no seu antigo mundo… talvez não lembre…

[E, por enquanto… é tudo o que podemos saber.]