thahy diz:

tava pensando

o ateísmo não é um modo de enfraquecer o poder da igreja?

ou o da religião?

será q eles sabem responder?

[amei aquele post sobre ateismo…definitivamente!]

Marcelo – OCUPADO diz:

não creio… acho que o ateísmo é uma resposta irracional

é a negação do deus-católico…

isso

por isso não entendo as criticas

porque as pessoas esquecem qual foi o background dos ateus no brasil… são ex-católicos todos

as vezes tenho a sensação que se irritam com as coisas que tu escreve pois ali são apresentadas outras versões dos mitos cristãos

pq mexe na crença…

é complicado definir o que está acontecendo como uma observadora passiva

hmmmm é =/

eles gostariam que sua crença no não-deus prevalecesse sobre a dos católicos/evangélicos

quando eu venho com algo muito mais lógico e racional, eles piram

pq não querem ser expulsos do clubinho dos ateus

[mas vc faz parte de um grupo q não pertence ao dos catolicos/evangelicos… é por isso q nao compreendo o mal-estar]

é como se fossem ateus da boca pra fora… citando dawkins sem conhecer a obra do tiozão… mas, qdo vc aborda os temas de um modo racional… é como se mexesse no orgulho religioso adormecido…negado

pois é… tanto que o post sobre Judas teve uma maior quantidade de céticos xingando do que de fanáticos religiosos – o que seria de se esperar

justamente…

os religiosos estão mais quietinhos… dá a sensação que estão acompanhando as colunas e refletindo…

eu, como atéia fico impressionada com as respostas dos céticos…

visto que ser cético é ser empirista… é experimentar a realidade… experenciá-la… duvidar, questionar…

pois é…

proce ver como ceticismo virou religião

[eu rompi com o meu ‘templo’…por isso me defino como atéia … masss… eis uma boa explicação do meu amado fernando pessoa:

O MISTÉRIO DAS COUSAS

Há Metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

(…)

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol

E a pensar muitas cousas cheias de calor.

Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.

A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

(…)

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo” …

Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas,
É como pensar em razões e fins

(…)

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De que, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,

(…)

E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

in Pessoa, F. (1981): Obra Poética, Rio de Janeiro: Ed. Aguilar, pgs. 140-1 😉 ]

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