Raposa



Vamos lá, já coloquei no blog algumas infos sobre a alma e a borboleta… Chegou a vez de falar um pouco sobre a simbologia da Raposa.

“Semper peccator, semper justus”

Germaine Dieterlen resume a idéia que a sabedoria africana faz desta personagem. E acrescenta:

Independente, mas satisfeito com a existência; ativo, inventivo, mas ao menos tempo destruidor; audacioso, mas medroso; inquieto, astucioso, porém desenvolto, ele encarna as contradições inerentes à natureza humana.

Tudo o que a raposa é capaz de simbolizar, herói civilizador ou cúmplice de fraudes em inumeráveis mitos, tradições e contos pelo mundo, pode ser desenvolvido a partir desse retrato.

  • Símbolo de fertilidade, ela é no Japão a companheira de Inari, divindade da abundância, com a qual é às vezes identificada, a ponto de lhe ser prestado um culto. Inari é uma divindade xintoísta do alimento e da cultura de amoreiras para os bichos-de-seda. Não apenas é a protetora do alimento, mas muitos comerciantes e homens de negócios tem ainda em suas casas um pequeno altar consagrado à raposa, para que ela proteja seu comércio. O animal é chamado Kitsune, e uma supertição popular lhe atribui muitos casos de histeria ou de possessão demoníaca. Emprega-se pois o termo Inari no caso religioso [com sentido favorável] e Kitsune no sentido popular e desfavorável.

Sua associação com as divindades da fertilidade provém, sem dúvida, de seu vigor e da força de seus apetites, que também fazem delas, em quase todas as partes do mundo, machos dom-juans ou, como veremos, fêmeas provocadoras.

  • Na China as raposas tinham a fama de possuir uma grande quantidade de força vital, pelo fato de viverem em buracos e de estarem, portanto próximas das forças geradoras da terra. Também é atribuida à raposa uma grande longevidade
  • Em inúmeras crenças no Extremo Oriente, acredita-se, às vezes, que a raposa possui o elixir da vida, ou então que ela dá origem a possessões demoníacas. Em certas regiões, ela exerce um papel de súcubo e, sobretudo de íncubo Ela se transforma em efebo para tentar as mulheres e, com mais frequência, em mulher para atrair os homens, crença da qual a sabedoria popular tira esta conclusão filosófica: uma raposa feiticeira fará só um pouco de mal ao homem, mas uma mulher que enfeitiça como uma raposa, esta fará um grande estrago.

Refletindo como um espelho as contradições humanas, a raposa poderia ser considerada como um duplo da consciência humana. Os chineses afirmam que é o único animal a saudar o nascer do sol: ele dobra as patas dianteiras e se prosterna. Procedendo desse modo durante diversos anos, é então capaz de se transformar e de viver no meio dos homens, sem despertar sua atenção: reflexo num espelho, tantos são os homens-raposas sob o sol.

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