a minha mitologia grega favorita é, sem sombras de dúvidas… a história de eros e psiquê…

sempre foi e creio que sempre será. Amo a forma que o meu almo-gemeo-platônico-amado-E-adorado Fernando Pessoa escreveu:

    Conta a lenda que dormia
    Uma Princesa encantada
    A quem só despertaria
    Um Infante, que viria
    De além do muro da estrada.Ele tinha que, tentado,
    Vencer o mal e o bem,
    Antes que, já libertado,
    Deixasse o caminho errado
    Por o que à Princesa vem.A Princesa Adormecida,
    Se espera, dormindo espera,
    Sonha em morte a sua vida,
    E orna-lhe a fronte esquecida,

    Verde, uma grinalda de hera.Longe o Infante, esforçado,
    Sem saber que intuito tem,
    Rompe o caminho fadado,
    Ele dela é ignorado,
    Ela para ele é ninguém.Mas cada um cumpre o Destino
    Ela dormindo encantada,
    Ele buscando-a sem tino
    Pelo processo divino
    Que faz existir a estrada.E, se bem que seja obscuro
    Tudo pela estrada fora,
    E falso, ele vem seguro,
    E vencendo estrada e muro,
    Chega onde em sono ela mora,

    E, inda tonto do que houvera,
    À cabeça, em maresia,
    Ergue a mão, e encontra hera,
    E vê que ele mesmo era
    A Princesa que dormia.

Esta poesia pega um trecho do mito… nos fala sobre o momento mágico quando nos unimos a alguem com afinidade especial… é o momento do ‘casamento’… mas o mito não termina aí… Afinal, os finais felizes são só para os contos de fadas… a mitologia sempre esteve mais para tragédia do que para romancezinhos água com açucar da sessão da tarde😉

Psique havia ficado toda saltitante de felicidade no seu castelo invisível para olhos mortais… comendo, amando e sendo feliz… MASS as irmãs invejosas começaram a visitá-la… Sempre falando q o marido deveria ser um monstro marinho…visto que não permitia que ela [psique] visse o seu rosto [eros]… e isso alimentou um monte de minhoquinhas na cabeça da pobre mortal… e as irmãs invejosas deitaram e rolaram com essa fraqueza da irmã:

“A noite, quando Eros descansava ao seu lado, Psique tomou coragem e aproximou a lâmpada do rosto de seu marido, esperando ver uma horrenda criatura. Para sua surpresa, o que viu porém deixou-a maravilhada. Um jovem de extrema beleza estava repousando com tamanha quietude e doçura que ela pensou em tirar a própria vida por haver dele duvidado.

Enfeitiçada por sua beleza, demorou-se admirando o deus alado. Não percebeu que havia inclinado de tal maneira a lâmpada que uma gota de óleo quente caiu sobre o ombro direito de Eros, acordando-o.

Eros olhou-a assustado, e voou pela janela do quarto, dizendo:
– “Tola Psique! É assim que retribuis meu amor? Depois de haver desobedecido as ordens de minha mãe e te tornado minha esposa, tu me julgavas um monstro e estavas disposta a cortar minha cabeça? Vai. Volta para junto de tuas irmãs, cujos conselhos pareces preferir aos meus. Não lhe imponho outro castigo, além de deixar-te para sempre. O amor não pode conviver com a suspeita.”

“Afrodite, ao recebê-la em seu templo, não esconde sua raiva. Afinal, por aquela reles mortal seu filho havia desobedecido suas ordens e agora ele se encontrava em um leito, recuperando-se da ferida por ela causada. Como condição para o seu perdão, a deusa impôs uma série de tarefas que deveria realizar, tarefas tão difíceis que poderiam causar sua morte.

  • Primeiramente, deveria, antes do anoitecer, separar uma grande quantidade de grãos misturados de trigo, aveia, cevada, feijões e lentilhas. Psique ficou assustada diante de tanto trabalho, porém uma formiga que estava próxima, ficou comovida com a tristeza da jovem e convocou seu exército a isolar cada uma das qualidades de grão.
  • 2ª tarefa: Afrodite ordenou que fosse até as margens de um rio onde ovelhas de lã dourada pastavam e trouxesse um pouco da lã de cada carneiro. Psique estava disposta a cruzar o rio quando ouviu um junco dizer que não atravessasse as águas do rio até que os carneiros se pusessem a descansar sob o sol quente, quando ela poderia aproveitar e cortar sua lã. De outro modo, seria atacada e morta pelos carneiros. Assim feito, Psique esperou até o sol ficar bem alto no horizonte, atravessou o rio e levou a Afrodite uma grande quantidade de lã dourada.
  • Sua 3ª tarefa seria subir ao topo de uma alta montanha e trazer para Afrodite uma jarra cheia com um pouco da água escura que jorrava de seu cume. Dentre os perigos que Psique enfrentou, estava um dragão que guardava a fonte. Ela foi ajudada nessa tarefa por uma grande águia, que voou baixo próximo a fonte e encheu a jarra com a negra água.

Irada com o sucesso da jovem, Afrodite planejou uma última, porém fatal, tarefa.

  • Psique deveria descer ao mundo inferior e pedir a Perséfone, que lhe desse um pouco de sua própria beleza, que deveria guardar em uma caixa e entregá-la à Afrodite. Desesperada, subiu ao topo de uma elevada torre e quis atirar-se, para assim poder alcançar o mundo subterrâneo. A torre porém murmurou instruções de como entrar em uma particular caverna para alcançar o reino de Hades. Ensinou-lhe ainda como driblar os diversos perigos da jornada, como passar pelo cão Cérbero e deu-lhe uma moeda para pagar a Caronte pela travessia do rio Estige, advertindo-a:

– “Quando Perséfone lhe der a caixa com sua beleza, toma o cuidado, maior que todas as outras coisas, de não olhar dentro da caixa, pois a beleza dos deuses não cabe a olhos mortais.”

E o que fez Psique? Venceu todos os desafios, conversou com Perséfone e quando já estava no caminho de volta, de posse da caixinha, sentiu aquela coceirinha e É ÓBVIO que abriu a caixinha… um feitiço a fez adormecer… [é, eu sei… curiosidade… lembrem que psique representa a alma humana… imperfeita…]

Eros acompanhava tudo a distância… sofrendo e torcendo por sua amada… quando viu que ela havia falhado, desceu até o hades para socorrê-la… claro que ele passou um sermão, explicando que a sua curiosidade mais uma vez havia sido sua grande falha e blablablá [homens quando estão com a razão e dispostos a dar um sermão… nossa senhora, tenha é dó… imagina então um DEUS!]

Zeus ratificou o casamento de Eros e Psique, selaram seus votos com uma taça de ambrosia… Psique foi elevada à categoria de semi-deusa…

Eros e Psique tiveram um filho… chamado Voluptas [prazer]

Sabe, ai fiquei me perguntando…

E SE Psiquê tivesse esperado… incitado eros a mostrar sua face… uma hora o amor a atenderia… e ela conheceria o amor porquê ele se faria presente em sua vida… Mas ela, influenciada pela dúvida, pelo medo… preferiu ousar, desobedecer e pagou o preço… que resultou na perda do amado…

Só que ela é a alma humana, cara… e almas não desistem nunca! então buscou e lutou para sentir de volta aquele sentimento… ela desceu ATÉ o inferno para ser digna do amor…

eu – como uma boa curiosa – com certeza prefiro mil vezes mil esse caminho… a busca sempre se torna mais gratificante no final… e a dor… ah, faz parte… não existe maturidade sem solidão… e não existe solidão sem sentimento… e não existe sentimento sem amor… [afinal… amor e ódio são faces de uma mesma moeda]

ah, sim! Antes que eu esqueça…releiam a poesia do meu almo-gêmeo amado😉

e se possível me respondam: este post ficou muito introspectivo? daqueles que só eu entendo?😀