Ao ler a proposta para o trabalho, a primeira reflexão foi: Será a Preguiça o defeito capital que mais atrapalha a nossa evolução tanto espiritual quanto material? Afinal, ela se manifesta não somente através do comportamento observável, mas também através da preguiça mental, do intelecto… Percebo que a preguiça intelectual é tão ou mais comum do que a física, pois por alienação deixamos de observar uma situação de outros pontos de vista, por comodismo muitas vezes aceitamos uma verdade sem racionalizá-la, por ela ser a mais fácil de ser absorvida. Por preguiça mental não lutamos contra maus pensamentos e muitas vezes nos deixamos envolver pelos mesmos.

Talvez este seja o mais humano dos pecados, o mais comum e o mais facilmente perdoado. Afinal, quem nunca sentiu aquela dormência, sonolência e vontade de não levantar da cama ou da cadeira quando sabe que existe alguma obrigação a cumprir? Os famosos cinco minutos ou uma semana de procrastinação antes da execução de tediosa tarefa? Geralmente temos consciência do malefício que é deixar algo para fazer depois: muitas vezes ficamos sem tempo e executamos a tarefa de modo apressado e muitas vezes mau feito [e ainda amaldiçoamos o tempo que perdemos].

Procrastinamos tarefas e vamos cozinhando em banho-maria responsabilidades, obrigações… Até o momento que recebemos um safanão da vida que nos coloca em movimento outra vez. Não vou negar que é prazeroso curtir esses momentos de preguiça físico-mental, onde nos acomodamos e não batalhamos por nada… Simplesmente somos levados de acordo com a maré… De um modo completamente passivo… Previsível e muito cômodo.

Ao refletir durante estes dias percebi que em geral não sou preguiçosa. Simplesmente não consigo ficar sem fazer nada. Sempre procuro ocupar-me. Entretanto percebo que realizo com má-fé as tarefas que considero tediosas, mecânicas e previsíveis… As ações mais voltadas para a vida cotidiana, prática que não trazem um ‘reconhecimento’ intelectual ou algo do tipo. Geralmente me acomodo, procrastino ou espero que alguém a realize por mim. A partir deste aspecto, percebi que a preguiça pode ser um vício. Afinal, a falta de atividade, a paralisação do corpo e da vontade acarreta conseqüências negativas em larga escala.

No mundo atual observamos o sedentarismo refletido no aumento de peso da população e nas conseqüências desastrosas que vão, desde os altos índices de diabetes, colesterol e pressão alta, como também no aumento de quadros depressivos, suicídios e violência. Sei que, num primeiro olhar estes fatores não estão diretamente ligados à preguiça, mas ao lançarmos um olhar mais demorado nas causas de cada uma dessas realidades, percebemos que alguns pontos em comum são encontrados.

Vivemos numa cultura que preza tanto a informação rápida, mastigada e descartável, quanto à busca por soluções mágicas que não exigem esforço algum da nossa parte. Vejamos: vivemos numa sociedade ‘fast-food’, onde os alimentos são bombas-calóricas facilmente preparadas ou compradas, onde os almoços em família estão sendo substituídos por quentinhas e pratos congelados, onde percebemos uma horda de pessoas deprimidas, vivendo vidas que não possuem objetivos ou sentido algum. Contatos que são perdidos, pelo simples fato de não se saber o e-mail ou qual o número de celular [creio que as cartas enviadas pelo correio ou os telefonemas de aniversário logo serão extintos].

As soluções para os nossos problemas são facilmente encontradas! Basta ter dinheiro para gastar:

Está se sentindo gordo?! Não precisas mais passar três meses na academia e fazendo dieta: basta fazer uma lipoaspiração!

Quer um diploma universitário?! Entra nesse esqueminha aqui, desembolsa tal quantia que a vaga é tua!

O cachorro fez sujeira no meio da calçada?! Ah, ninguém está olhando… Azar de quem pisar…

E por pensarmos e agirmos dessa forma, vamos nos acomodando cada vez mais num estado de apatia e aceitação. Aí quando a depressão sorrateiramente chega, não compreendemos como ou por que estamos nos sentindo assim. Afinal… Você não faz nada o dia inteiro… Não tem porquê sentir-se cansado ou triste. Pois é… O mais engraçado é acreditar realmente que não existe motivo nenhum para sentir-se assim!

Voltando à reflexão inicial proposta: Sim. A preguiça é o defeito que mais atrapalha a nossa evolução espiritual e material nesse planeta. Afinal, ninguém quer ter preocupações e ‘perder’ tempo com atividades que precisam de esforço e concentração. Por isso que ao lançar um olhar demorado para as notícias no jornal… Vejo refletida ali, a preguiça como principal fomentadora das histórias apresentadas: a omissão de um, a procrastinação do outro, a vista grossa, a burocracia… Fatores interligados que refletem o atraso espiritual e material dos indivíduos e da nossa sociedade num panorama global.

[trabalho escrito e enviado… recomendo não copiar 😉 o google tudo sabe e tudo vê – hehe]

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