o simbolismo do fio é essencialmente o do agente que liga todos os estados da existência entre si, e ao seu Princípio (Guénon). Esse simbolismo exprime-se sobretudo nos Upanixades, onde se diz que o fio [sutra], com efeito liga este mundo e o outro mundo e todos os seres. O fio é ao mesmo tempo atma [self] e prana [sopro]. A fim de que seja alcançada a ligação com o centro principal, às vezes representado pelo Sol, é necessário que o fio seja seguido passo a passo em todas as coisas.

O que não pode deixar de evocar o simbolismo do fio de Ariadne, que é o agente de ligação do retorno à luz. Ainda sobre esse mesmo tema, deveríamos citar também os fios que ligam as marionetes à vontade central do homem, seu animador, como no teatro japonês.

No plano cósmico, é importante que se faça uma distinção entre o fio da urdidura e o fio da trama: a urdidura liga entre si os mundos e os estados; sendo que o desenvolvimento condicionado e temporal de cada um desses mundos e desses estados é figurado pela trama. E o conjunto da tecedura representa a vida vivida. O desenrolamento do fio exclusivamente de trama é simbolizado pelas Parcas – pela fiação do tempo ou do destino .;)

Notemos ainda, retornando ao sopro, que, para os taoístas, ele está associado ao vaivém da lançadeira sobre o bastidor: estado de vida, estado de morte, expansão e reabsorção da manifestação. A imagem do tecido que se termina durante o dia e que é desmanchado à noite [aqui reencontramos o mito de Penélope] é utilizada no Rig Veda para simbolizar, ainda uma vez, o ritmo vital e a alternância indefinida da respiração, semelhante à do dia e da noite.

No mito japonês da Deusa Solar, a tecedura de Atmatesaru é destruida por Susano-wo-no-Mikoto. Diversas iniciações femininas, principalmente na China, incluiam um trabalho de tecelagem ritual associado à reclusão, à noite e ao inverno, pois sua participação na tecedura cósmica torna esse trabalho perigoso, e por isso tem de ser mantido em segredo. Por outro lado, os trabalhos diurnos, do verão, são os dos campos – trabalhos masculinos. O encontro celeste da Tecelã e do Boieiro é o equinócio, o equilíbrio e a união do yin e do yang

Conforme assinalamos mais acima, o sentido de fio aplica-se à palavra sutra, que designa os textos búdicos. É preciso acrescentar ainda que a palavra tantra deriva igualmente da noção de fio e de tecelagem.

Para retornar ao nível elementar, à noção de fio do destino, que no Extremo Oriente, o casamento é simbolizado pela torção, entre os dedos de um gênio celeste, de dois fios de seda vermelha: os fios do destino dos dois esposos transformam-se num único fio. Em outros países do sudeste asiático, costuma-se amarrar aos pulsos dos recém-casados um mesmo fio de algodão branco: o fio do destino comum [aqui no brasil, existe o costume de colocar um fio vermelho ao redor do pulso dos recém-nascidos, contra mau-olhado… ]

Na região da bacia mediterrânica e, particularmente, em todo o norte da África, fiar e tecer significam para a mulher o mesmo que lavrar significam para o homem: associar-se à obra criadora. Nos mitos e nas tradições, a tecelagem e a lavoura estão sempre juntas; se bem que a tecelagem seja, em si mesma, um trabalho de lavoura, um ato de criação de onde saem, fixados na lã, os símbolos da fecundidade e a representação de campos cultivados. Porfírio, no Antro das Ninfas, dizia: Que símbolo conviria melhor às almas que descem para a vida, do que a arte de tecer?

[chevalier. dicionário de símbolos]

[ah… lembrei… os melhores lençois de linho são quais mesmo?

Egípcios, OFF COURSE! :D]

[ponto-cruz e tapeçaria… adoro 😉 mas isso, pouquíssimas pessoas sabem ^^ ]

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