Ira

Pensar na Ira é lembrar-se de um turbilhão emocional inesperado e intenso. É Lembrar da cor vermelha, de impulso e explosão.

Este defeito capital parece-nos o mais instintivo; o que está ligado diretamente à nossa história genética adaptativa. Podemos dizer que Ira é a resposta imediata, irracional e quase sempre violenta a um estímulo que nos provoca, comumente associada ao sentimento de ódio. É importante apontarmos que Ira e Ódio são diferentes: Ira é puro instinto: é explosão de raiva, que nos transfigura e escancara nosso ser animal, irracional e violento. Quando estamos irados, reagimos imediatamente ao que nos provoca raiva. Sem pesar as conseqüências ou estabelecermos a forma pela qual amenizaremos a sensação ruim que toma posse de nós. Ao sentirmos Ódio, sabemos diferenciar, discriminar o que realmente nos incomoda e escolhemos como amenizar este sentimento: claramente utilizamos a razão, criamos metas e estratégias para amenizar a sensação ruim: procuramos nos vingar – bem sabemos que a vingança é um prato que se come frio, afinal.

Quando somos dominados pela Ira, não ponderamos nossos atos e não montamos uma estratégia de ação: simplesmente reagimos. Sentimos vontade de matar, extinguir a fonte de nossa raiva. Podemos perceber que a Ira pode ser desencadeada tanto por uma fonte de estimulação interna quanto externa. A reação, porém, é sempre semelhante: agir com violência e de forma agressiva. “Algo me machuca e Isso é ruim.” O próximo passo é aniquilar esta sensação que causa mal-estar. Ira é puro instinto.

No passado remoto, onde o homem dava seus primeiros passos neste planeta, provavelmente o indivíduo que sentia Ira, conseguia defender-se de forma eficaz, resultando em mais tempo de vida e disseminação de seus genes. Ou seja: sucesso evolutivo. Por isso que, naqueles tempos, reagir de forma agressiva era uma questão de vida ou morte.

Após milênios de fracassos e sucessos evolutivos, a humanidade moldou regras de convivência, diplomacia e bons modos à mesa. Atualmente, reagir ao que nos machuca de forma instintiva é visto como irracional e animalesco. Por mais que tenhamos desenvolvido formas para viver uma vida mais humana, centrada na lógica, ciência e razão, demonstrando toda a nossa humanidade e microcosmo, ao utilizar diversos talheres e manejando complicados aparelhos eletrônicos. Porém, quando o inesperado acontece, voltamos à savana de nossos antepassados: sentindo o instinto de vida e morte pulsando em nosso sangue, onde o princípio de sobrevivência, diretamente relacionado ao sentimento de não querer sentir dor (seja a dor emocional ou a física) é trazido à tona. No alto de nossa história evolutiva, com o desenvolvimento da razão, filosofia e espiritualidade, ainda não conseguimos nos desvencilhar do irracional e instintivo que nos faz reagir de forma enérgica, explosiva e violenta.

Reconheço o valor deste defeito como um ás na manga para questões de sobrevivência. Porém, quando não dosado é destruição na certa.

About these ads

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s