Sanctum

Creio que, quem acessa o blog, deve sentir muitas coisas semelhantes… às que sinto… [por isso a afinidade…] Aposto que você já se perguntou: “pra que tantos anos de escola? pq tenho q decorar aquelas fórmulas de química? onde é que eu enfio o maldito complexo de golgi” e etc.

Passamos quantos anos estudando? Hmm, 10, 15, a vida inteira? [depois vem a facul… as especializações… os mestrados, doutorados, phds, etc etc]. Implico enfaticamente com esse sistema bancário onde… somos cada vez mais técnicos com o assunto… e mais displicentes com quem realmente importa: nós mesmos. .. Afinal… Tanto estudo e… O que realmente importante você aprendeu sobre você mesmo?

Na escola aprendi que… sou um fracasso em matemática… fiquei de recuperação por 2 décimos na quinta série… e por isso meu pai ficou 1 mês inteiro sem falar comigo [uma grande, mega hiper frustração] … Nunca mais fiquei de recuperação na vida… mas em compensação… não consigo fazer um cálculo sequer de cabeça… [e nao sei calcular porcentagem]

Na escola também aprendi a sempre demonstrar auto-confiança [mesmo quando estava morrendo de medo de ler a redação na frente da sala]Acabei me tornando alguém extremamente preocupada em ser o que todos esperavam que eu fosse [boa aluna-amiga- lindinha] e não tornar-me quem eu era [meio melancólica-realista-solitária], pois estava escondida atrás dos sorrisos

Sei que… da quinta até o terceiro ano vivi estados e crises de ansiedade incríveis… mãos eternamente geladas, mudanças de humor sutis e algumas besteiras cometidas… [crises de enxaqueca então, nem se fala ¬¬]

Quando passei no vest. decidi mudar… Afinal, as amigas haviam escolido outros cursos… aquelas pessoas que me conheciam desde os 10 anos não estavam mais presentes… Eu poderia – portanto… seguir a minha vontade… Ler o que realmente me interessava… ficar sozinha, com meus desenhos e escritos… Sem preocupar-me em dar satisfações sobre o ‘sentido’ ou ‘significado’ daquilo…

Então, aos 18 comecei a me trabalhar… Aos 21 tive o gu… Aos 22 descobri que as mudanças repentinas de humor era, segundo a Psiquiatria sintomas da Bipolaridade… Aos 23 terminei o noivado, a monografia [sobre ciúme feminino] e a faculdade de Psicologia… Desde então tenho mergulhado cada vez mais neste processo de auto-conhecimento…que:

Não é vendido em 6 parcelas de 9,99

Não é divertido.

Não é fácil.

Percebi o quanto somos moldados pela cultura que nos abraça… pelos familiares que possuímos… pelos grupos de amigos que frequentamos… pelos nossos genes…

E por sermos moldados… e por querermos nos encaixar em todas as expectativas de todos esses grupos, acabamos nos sabotando… E dá-lhe crises de ansiedade… dá-lhe compras compulsivas… dá-lhe problemas de relacionamento…

Somos moldados [ou seria adequados] por tantas expectativas, que acabamos cheios delas também… [e uma coisa que não se ensina na escola ou faculdade é como lidar com as frustrações ] e por ficarmos atolados em expectativas acabamos – muitas vezes – achando a vida e os obstáculos um porre… O pescoço dói, torcicolos, joelho… o corpo todo fica enrijecido… e o menor toque de um corpo no outro é sinal imediato do sexo e não de carinho, troca e demonstração de afeto.

Traduzindo: vivemos uma vida de estímulos-respostas e esquecemos que um dia já fomos criança e a vida era divertida… claro, tinham as regras, os choros… medos…  Mas, quem não sorri quando lembra do cheiro do almoço do domingo… o cheiro do War novinho, recém-aberto… ou de como era gostoso mergulhar e brincar na areia da praia…

Quem lembra de um torcicolo aos 6 anos de idade? Ou de dor de cabeça aos 7? [eu não lembro… e olha que disso eu entendo 😉 ] Aposto até que… você deveria ter um local-imaginário muito legal… Que era uma cabana, um castelo… um jardim… [o meu era um jardim de algodão doce colorido que não grudava… uma versão do meu sanctum atual, através dos meus olhos de menina pequerruxa ^^ ]

Então… por isso que… Para podermos construir [ou relembrar] o nosso local-imaginado, o nosso sanctum…

TEREMOS QUE APRENDER A RELAXAR O CORPO…

REAPRENDER A DORMIR…

A se deixar voar… sonhar… l i b e r t a r . . .

Uma das coisas que mais me amarrei na facul foi descobrir as técnicas de relaxamento. Adoro quando atendo alguém com transtorno de ansiedade… pois fica cada vez mais claro que a chave de todos os nossos males residem em nós, assim como a cura. As técnicas de relaxamento foram ‘patenteadas’ por alguns psicólogos… Na minha opinião, eles [schultz, jacobson, pra falar somente dos mais famosos] beberam da fonte da medicina Ayurvédica, com suas técnicas de yoga, meditação, etc etc e traduziram para termos cientificamente compreensíveis e comprovados. Ah, e sem dar os devidos créditos aos hindus!!!

[sim, sou psicóloga… e sim sou analista do comportamento [skinneriana] e passei os seis anos do curso, discordando de muita coisa que ‘ensinavam’, sendo portanto mais auto-didata e pesquisando áreas do meu interesse ^^ ]

Então, sem mais delongas…

Disponibilizo um passo-a-passo do relaxamento progressivo… quais grupos musculares devem ser exercitados… antes de dormir… ou quando estivermos realmente tensos com algo:

Livro: Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento Autor: Vicente E. Caballo
Tarefa de Casa:

Procurar criar uma forma para relaxar todo o corpo [por favor, pipou… sem o uso de substâncias ilícitas 😉 ] através da observação da respiração, contração muscular… descobrir quais pontos doem… perceber onde é difícil relaxar…

E, não se esqueçam… coloquem a música para tocar… tomem um banho beeeem gostoso… acendam o incenso ou a vela para o difusor… as imagens agradáveis… as lembranças olfativas…

lembrando sempre de respirar… inflando o peito até não caber mais nada … e expulsando o ar completamente pela boca…

[emoção + imaginação + vontade]

[eu pensei em gravar um .mp3 com o passo-a-passo do relaxamento… mas, fico com vergonha ^^ ]

Bom, Até breve 😉

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