Ontem a noite, conversando com minha mãe e minha cunhada comentei:

– Ah… sabe? Eu to começando a sentir falta de ter um namorado… alguém pra ligar de madrugada, pra comentar uma besteira ou só pra ouvir a voz… Igual no dia que a minha paciente morreu… eu só tinha a senhora pra ligar…
– E você quer alguém melhor do que a sua mãe pra desabafar?!
– Ah mãe… mas é chato só ter você pra desabafar… Sabe… eu sei que to relutante em começar um relacionamento…
– Pois é, tem o fulano que é um tipão de homem, o sicrano que é apaixona…
– Então, MÃE… eu sei que to relutante em me envolver, por saber que um namoro vai terminar em casamen…
– Como assim?! Você sempre diz que não quer se casar! Quer dizer que não seremos duas velhinhas implicando uma com a outra pra sempre?!

Bom, fiquei meio choqui, mudei o rumo da conversa e seguimos em frente… Hoje pela manhã, ela me conta que teve um pesadelo com meu ex. Voltamos a uma discussão que se desenrola sagradamente aos finais de semana. [Ela sempre comenta algo do ex, relembra histórias passadas, pequenas rusgas, etc]. O que me irrita é pedir que evite este assunto, mas como sempre fui a válvula de escape para a frustração, lá me vem a ladainha…

Parei pra pensar e percebi que a minha relutância em iniciar um relacionamento amoroso vem do fim do noivado que a minha mãe ainda não absorveu.

“Poxa, mas vc já é adulta! Pra quê vai ficar dando satisfação pra mãe?!” – alguém pode pensar e me acusar de ser infantil… Mas, o grande problema é que pertenço a um clã. Sabe aquelas famílias onde todos os integrantes são profundamente ligados um aos outros? Almoçamos juntos sempre que possível, jantamos… Reunimos-nos na sala de estar pra conversar como foi a semana, o problema que sicrano ou fulano está passando e de que forma podemos ajudar… Esta é a parte boa e cuti-cuti. A parte ruim é a falta de privacidade… é a necessidade de dar satisfações por toda e qualquer ‘inclusão’ de um novo integrante ao clã.

Então, além de me preocupar se pessoa X me fará bem, também tenho que ver a reação do pequerruxo e a forma que meus familiares irão implicar/aceitar. As vezes percebo que esse envolvimento emocional todo é prejudicial… mas também é quem eu sou… minha família é a minha base, meu principal pilar… através deles percebo quais são meus vícios, minhas falhas… procuro mudar, crescer…

Ai… só sei que ta me dando um medo… Dessa minha preocupação e envolvimento emocional com eles acabar me paralisando… d’eu acabar tendo tanto receio de me envolver com alguém só pra não dar satisfações sobre o que faço ou deixo de fazer…

Eu confesso que não me imagino sem essa rotina de clã… Mas… To começando a ficar mui “à flor da pele”, sentindo falta d’um amor cheio de xodó e cafunés… Perto de mim e acessível [da distância de um telefonema ou tão longe quanto um cutucão na cama, entre travesseiros e edredons…]

Mais uma vez encontro uma bifurcação no caminho… Chegou o momento de escolher algo importante na vida…

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