[ac/dc, pink floyd, rolling stones, raulzito, doors, hendrix, guns, xi a minha playlist é longa e está bem representada lá no meu blip ]

“Outros dez anos se passam e em 1955 surgem Elvis Presley e Chuck Berry, os dois sendo censurados na região da América conhecida como “O Cinturão Bíblico”. Seus feitos são conhecidos por qualquer roqueiro que se preze. Chuck por criar os primeiros e mais importantes riffs do rock ‘n’ roll; e Elvis, por cantar e dançar de forma lasciva, torna essa música interessante e permissível entre os brancos. Como Elvis diria em 1956, “os negros tocam este tipo de música há mais tempo do que eu possa contar. Mais ninguém ligou para esta música até eu começar a tocá-la”.

Aumenta Que Isto Aí É Rock ‘n’ Roll

“Insano é o homem que, incapaz de criar uma minhoca, cria Deuses às dúzias” – Montaigne (1553-1592)

De fato, as famílias brancas ficaram em polvorosa ao verem seus filhos (e filhas) se envolvendo com uma música tocada por negros. A música negra é então considerada como música tribal, portanto pagã e diabólica. A fé é um poder tão impressionante quanto inebriante. Pastores passam a se promover em suas comunidades, falando sobre os males da música negra para a alma, agradando pais igualmente preconceituosos no processo. Porém do texto, pronunciado supostamente em nome de Cristo, só saem palavras de intolerância, ódio e discriminação. Apesar das variações, o denominador comum destes sermões é de ameaçar os seus fiéis com a figura do Diabo para se manter um código de conduta preestabelecida pela comunidade dominante, mantendo assim o patrocínio desta comunidade para a igreja. Uma lástima, já que quanto mais se fala em Satanás, mais se está erguendo sua obra.

Entre outras limitações humanas que explicam o alvoroço criado em relação à música negra adotada pelos filhos da sociedade branca americana, estão o egocentrismo, racismo, ignorância, medo e inveja. Alan Freed, disc-jockey de Cleveland, percebendo a insatisfação da sociedade dominante, vendo seus filhos e filhas dançando e cantando para a música negra, tenta aliviar a pressão inventando um nome alternativo. Assim, os filhos e filhas brancas “deixariam” de estar ouvindo música negra para estarem ouvindo um “NOVO” tipo de música. Essa é em parte a situação atrás da idéia de rebatizar a música ainda conhecida como rhythm & blues. Nasce o nome Rock ‘n’ Roll, que nada mais é que rhythm & blues um pouco mais acelerado, ou se preferir, em up-tempo, executado por brancos. Quando os negros o tocam, volta a ser chamado rhythm & blues.

(…)

A música liberta o homem, elevando o seu estado de espirito. Com a música, o homem consegue elevar-se acima de seus temores. Quando isto desagrada aqueles que precisam do seu medo para progredirem, o músico acaba taxado de bruxo(a) ou equivalente mais moderno. Destruir a credibilidade daquele que cria, sempre foi um dos instrumentos mais eficazes da mentalidade estéril. Para aqueles que se considerem ameaçados por estes artistas, seria talvez o caso de lembrar que nenhum deles fazem frente à tortura psicológica e abuso do poder da fé, que esta civilização testemunhou durante a Santa Inquisição. Afinal, pecado é todo mal consciente, seja do clero ou do pagão.”

  • garfield e a segunda-feira😉