ela,

por que todo poema sempre começa com ela,

tinha algo nos olhos.

não eram. mudavam

felizes ora distantes,

muitos os olhos dela.

tinha uma qualidade,

um barulho próprio,

falava e da sua língua

emergiam silêncios

cheios de gestos suposições maneiras.

percebe nela um gesto que perpassa o tempo?

percebe um algo em toda mulher

que não é dela?

toda mulher é toda mulher dentro de si,

carregam juntas uma dor,

toda mulher cede

do nome uma letra

a outra.

[daniel lima]