precisei pegar umas imagens, num cd de backup… e achei este desenho perdido por lá. 7 anos… em 2001 eu tinha 18-19.

3 anos antes de ter o gu… 5 anos antes de me formar em Psicologia…

era uma pessoa totalmente diferente da que ‘estou sendo’ agora… mutatis mutandis

uma vez o gu perguntou:

“mãe, pra onde foi a sua voz de criança qdo vc deixou de ser criança? e pra onde foi o seu braço curtinho de criança?! Você é diferente de mim e dos meus amigos! Pra onde foi o seu corpo de criança?! Eu quando crescer não quero perder o meu tamanho… mas vou ser grande, maior do que você! minha cabeça vai bater no teto”

… as vezes, tenho a sensação de ser como essas bonequinhas russas… o meu ‘eu’ criança… ‘eu adolescente’, ‘eu’ adulto… não deixa de existir à medida que envelheço…

eles só ficam escondidos dentro de mim…

pensei agora:

“quer melhor exemplo do que um avô brincando com um neto?! A forma como ele sorri, se diverte… ganha um novo semblante… O brilho de orgulho no olhar… Por rever os primeiros acontecimentos de uma nova vida?! O medo do banho de mar… O abraço… O medo do escuro… Ou quando uma mãe abraça uma filha por uma conquista importante pra ambas… O bouquet de rosas… O presente entregue pelo correio… A emoção ao abrir uma encomenda-surpresa… surpresa que não é só da filha, mas dela também…”

Eles revivem, voltam a ser crianças… adolescentes… voltam a sentir aquelas sensações… a emoção de experenciar algo… de relembrar como é gostoso sentir aquilo… se permitem desfrutar… vibram, se animam… celebram

a gente acessa os vários ‘eus’ à medida que vivemos e revivemos emoções… com nossos amigos… amores… parentes…

ainda bem que a gente cresce, né?

pra podermos armazenar – igual à bonequinha russa – várias cópias de nós mesmos em nossas lembranças… e revivê-las… através de pequenos detalhes do cotidiano…

amanhã, quando o gu acordar… vou contar pra ele que o meu ‘eu’ criança não sumiu… ele tá dentro de mim… e aparece toda vez que brincamos de pirata ou corremos pela casa, brincando de esconde-esconde…

o sofá que vira navio pirata…

vou contar que qdo era do tamanho dele, também descobri que S-A-U-D-E são as letras que formam a palavra que a gente diz, quando alguém espirra…

e por aí vai…

[divagações de uma cansativa sexta à noite…]

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