recebi por email, do ex-dono da fanta, a potranca fake mais famosa que conheci😉

Quando o Clube dos Malvados tinha 13.297 membros, 20 desses malucos escreveram um conto num determinado tópico onde cada qual foi dando, no bom sentido, continuidade a historieta proposta pela mais célebre criadora de tópicos da comunidade. Os desavisados que participaram dessa empreitada foram: Adriano, Bruno, Caius,Cassiano, Chicuta, Danilo, Derri, Diego, Doutor, Dri, Éden, Eneida, Fábio (Mufasa), Gerominho (esse que vos aborda com esse tópico), Marcos úNico!, Ninguém, Rafaela, Rafafael, Thahy (dona da idéia de jerico) e Vinicius, o cultivador de bonsais.

O resultado? Alguns escreviam na primeira pessoa, outros na terceira pessoa em tempo passado, outros em tempo presente… só dá pra saber com certeza que essa história não teve foi futuro, mas disso cuidei hoje, depois dum calote longe de casa e muito tempo disponível no aeroporto.

QUEM CONTA UM CONTO… AUMENTA UM PONTO! Não ficou exatamente como exibido abaixo, mas quem tiver um décimo da minha paciência poderá conferir se não bastou apenas uma garibada para o conto-frankestein ficar assim:

Em um belo dia de sol,

Constantino, nosso herói brasileiro resolveu acordar com o pé esquerdo (dizem às más-línguas que ele é um supersticioso de primeira) só para provar que tem razão. Ao levantar da cama deparou-se com o fato de estar sem roupa. Estranhou, afinal, lembrava-se direitinho de ter feito todos os rotineiros preparativos antes de dormir, inclusive de vestir aquele seu pijama roto pelos tantos anos de uso. Virou-se e percebeu sob os lençóis as curvas sinuosas de um corpo. Não se lembrava quem poderia ser, Diana, diarista – visita semanal, e remédio contra punheta não era com certeza. Os contornos sugeriam um corpo esbelto, bem diferente dos desenhos que formariam as carnes roliças e ancas gigantescas do seu quebra-galho. Constantino esqueceu que decidira contrariar a superstição e colocou o pé direito sobre o tapete. Procurou não fazer movimentos bruscos nem barulhos, queria se lembrar da noite anterior antes de encarar a pessoa que dormia em sua cama, todavia ao pôr-se em pé sentiu uma leve tontura, e dessas tonturas ele entendia bem, em um flash de memória lembrou-se de um bar a beira-mar, mesmo morando em Belo Horizonte e um nome lhe veio à cabeça: Alcione. “Oras, Alcione tanto pode ser nome de mulher quanto nome de homem” – disseram a ele certa vez. Um arrepio gelado desceu-lhe pelas costas. Soltou um suspiro, virou em direção ao banheiro e em seguida, encontrou traços de marshmellow espalhados pelo chão, alguns morangos pisoteados, cascas de manga, sementes de abacates, metade de uma banana… Ele ficou se perguntando que diabos de salada mista era aquela que ele tinha feito na noite anterior. Mesmo com todo esforço não se lembrava. No canto, perto da porta, no chão, havia CDs, cigarros e uma garrafa de Vodka, e antes de atribuir a ela sua amnésia temporária, observou que a garrafa estava intacta. Não entendeu… Levou um susto ao perceber que havia sangue pelo chão de toda a casa.

= Meu Deus, será que matei alguém?

Estranhou o som da própria voz e pensou: “Bem que minha mãe dizia que aquela mania de torturar os gatos da vizinhança não era uma coisa normal”.

Mas pensando melhor e sendo mais otimista Constantino pensou que talvez a mulher misteriosa em sua cama teria sido virgem, há algumas horas (minutos?) atrás. Então uma nova onda de pessimismo o invadiu: “E se ela for menor de idade?”.

Criou coragem, respirou fundo e decidiu que iria puxar o lençol para ver o resultado da bebedeira da noite anterior, onde somente uma garrafa de vodka escapara com vida. Com a mão estendida, o rosto um tanto inclinado, feito criança que tem medo de olhar na tela de um filme de terror, fechou os olhos e puxou, todavia o lençol se prendeu no corpo sobre a cama e apenas um pé ficou a mostra. Aquele pé era enrugado, unhas pessimamente pintadas de vermelho e a pela que o cobria já estava em avançado estado de flacidez. Alívio! Menor de idade com certeza não seria, mas estava frio e rígido… pé de alguém morto há algumas horas. Constantino desesperou-se, pensou em gritar, levou as mãos à boca e segurou o grito com receio de chamar atenção dos outros habitantes da república. Deu uma olhada geral ao seu redor e viu a faca ensangüentada semi-escondida atrás da cesta de frutas. Frutas, sangue e marshmellow. Não teve coragem de tocar novamente no lençol, temia ver a dona (ou o dono) daquele pé enrugado, rígido e gelado. Lembrou-se da música dos Vilsos – Eu Quero Encostar Meu Pé Gelado Em Você. Constantino escuta um gemido vindo de dentro do armário e precisa de alguns minutos para ter coragem e ir conferir o que é, estende a mão para a abrir e percebe que não controla mais seus movimentos, está trêmulo. Mesmo temendo o que pode ter ali dentro, abre a porta com os olhos fechados, como se isso pudesse defendê-lo dum possível mal existente dentro do armário. Depois da luta dentro de si, abre os olhos e vê, perplexo, que sua gatinha que até ontem estava prenha, deu a luz a treze gatinhos pretos. Com feições de coelhos! E então pensa consigo mesmo: “Ow God! Será que estou sonhando ou minha gata traiu meu gato com o coelho do vizinho?” Sai correndo de casa para tentar se afastar da loucura, mas ao abrir a porta de sua casa flagra o coelho e sua cadela em ato obsceno! Já totalmente desnorteado com a situação e imaginando como seriam os filhotes, resolve fugir de casa! Entra, arruma o que está a mão dentro da sua mala e está preste a partir, quando se lembra do suposto cadáver em sua cama. “defunto maior de idade pelo menos” – pensa extremamente aliviado. Olha para o cadáver sobre a cama, para o espelho ao lado e se vê, repara nos trajes que veste e percebe que não seria apropriado sair na rua daquele jeito. Pela primeira vez desde que se levantou com o pé direito, sua mente ainda alcoolizada agiu de forma sensata. Estava tão atordoado com os estranhos acontecimentos que só se tocou da imensa sede de ressaca neste momento.

Tem receio de atravessar o corredor para ir à cozinha e encontrar mais “surpresas”, mesmo assim segue em frente. Abre a geladeira, encontra uma mão, pega a garrafa d’água e toma seis goles. Guarda a garrafa e fecha a geladeira.

= Puta que pariu! Eu vi uma mão lá dentro!?

Desesperado, pega o telefone e disca o número de sua amiga.

= Alô.

= Alô, Taty. A-aqui é o Tino-o, você tem qu…

= É TAÍ, PORRA!

= Ah, des-desculpa-a, mas tenho-o coisas mais importantes para me-me preocupa-ar no mo-momento.

= Deixa de drama, Tino.

= Merda! Tenho sangue pelo chão da casa, um possível cadáver na cama, uma mão na geladeira e uma ninhada de gatinhos mutantes.

… tu-tu-tu-tu-tu…

= Acho que ela não levou a sério. O que eu faço? Mas que merda eu faço? Que merda eu fiz porra? Relaxa cara, relaxa, isso aconteceu com o Marv em SIN CITY e ele era inocente, talvez seja uma prostituta morta por alguém em uma possível queima de arquivo… Respire… Agora tudo faz sentido. A mão estava na geladeira para simbolizar que ela era Dedo Duro… Tem de ser… Mas o Marv era forte pra caralho e resistiu a prisão…

TOC! TOC! TOC!

= Presto? (caverna do dragão) O Que faz aqui? Eu tava esperando até a Thahy… Mas você?

Se dá conta que a bebida havia sido o pior de seus excessos. O intrépido desorientado toma o rumo da cozinha, cada passo faz seus nervos ressoarem dentro dos músculos, o corredor parece interminável, não levando a lugar nenhum, o som da torneira pingando é sua única referência. Seria a torneira ou seu pensamento? O som de gotas o faz lembrar do seu Juca, vizinho de 80 anos que sofre de gota. Gota? Não sabia. Dedilha a parede procurando a porta do banheiro, está perdido na sua prisão escura de ressaca. Isso que dá exagerar na vodka-com-ovo-cru. Uma luz! Enfim uma luz. Baixa as calças e mija, mija na mão que está dentro da geladeira e ri ao pensar que agora ela já não tem mais dedo duro.

= ATENÇÃO SENHOR SILVA SAURO, AQUI É A POLÍCIA. VOCÊ ESTÁ CERCADO…

“Cercado, como assim? Não tem ninguém lá fora… Meu Deus! Estou enlouquecendo. Não, não. Estou sonhando e é um pesadelo. Não existe Marv. Não existe Presto, não existe essa mão a me acariciar na geladeira, não existe nenhum Silva Sauro. Isso é um sonho, um sonho, um sonho… 1-2-3-4-5… 1-2-3-4-5… 1-2-3-4-5… Sai mão, não me belisca! Respira e pensa. Respira e… EU NÃO TÔ SONHANDO PORRA! TÔ… TÔ SIM, TÔ SIM! GAhhhhhhhh!

Após esse diálogo mental, Constantino se tranca no banheiro e tenta lembrar minuciosamente como foi a noite anterior. Sabia que tinha o nome Alcione. Mas não sabia se era ela – ou ele – que estava morto na cama. Tentava pensar na garrafa de vodka, mas não conseguia se concentrar, foi até a geladeira, desviou da mão morta e mijada, e qual não foi a surpresa ao encontrar cubinhos de gelo. Sim! Cubinhos de gelo, mas estes não eram meros cubinhos de gelo, eles eram mágicos! Ao serem colocados na coca cola de repente surgiam mais cubinhos de gelo, acompanhados de uma rodela de limão. “cubinhos infinitos” pensou ele. – Talvez me renda uma grana… Esse pensamento logo sumiu, pois se lembrou que antes de ficar rico com cubinhos mágicos, tinha que se livrar de um cadáver, limpar um quarto, entender como uma mão mijada foi parar na geladeira e decidir o que fazer com aquele garotinho parado no fim do corredor… Garotinho no corredor?

= Tio, você tem talco aí? – perguntou o garotinho.

“Acima de tudo o garotinho é um viciado! E os cubinhos que não param de se multiplicar? Vô tacá cubinho no muléki e o resto que fique ao Deus dará”.

Feito o pensado notou que nada mudava. Tirando o galo na cabeça da criança ainda estava tudo confuso! E os cubinhos a se multiplicar. Nisso a criança fala:

= Quero talco!

Com uma voz assustadoramente macabra. A pele da criança ia se esverdeando aos poucos enquanto girava a cabeça em 360°. No quarto agora, se escuta o som do assoalho rangendo sob passos firmes em direção ao corredor. Os gemidos da cadelinha são ensurdecedores. O coelho já havia caído por, pelo menos, umas cinco vezes. Quando de repente o efeito do LSD passou, Constantino começou a sentir o da coca! Pôde entender tudo! Tudo fez sentido e ele entendeu que a resposta para a vida, o universo e tudo mais é: “Tenho que parar de usar drogas! A partir de hoje, não uso mais droga, só coisa boa!” Sem percebei ele caiu em contradição, pois sabia no seu íntimo que as únicas coisas boas da vida dele são as drogas… Constantino começa a ouvir várias vozes. Vozes essas que eram e não eram dele mesmo. Era o efeito da cocaína se espalhando como um morteiro, de forma efervescente por todo o seu corpo… 42 era, afinal, o código para toda a sua vida, até então.

42! 42! 42.

Correu até o quarto, estava repleto de coragem e decidido a encarar a face morta de Alcione, puxou o cadáver – sem mais se importar se era homem ou mulher – num ritmo alucinado de empolgação. Uma perna se soltou. Horrorizado percebeu que o cadáver era perneta, ele segurava o tornozelo de uma prótese de plástico cor-de-rosa-creme. Na outra extremidade, onde devia ser o meio da coxa, um tecido almofadado vermelho, rasgado, denunciava a pobreza de Alcione. Fosse cadáver de mulher ou homem, era nojento e Constantino vomitou sobre o pé real que ainda não soltara apenas pela perplexidade diante do inusitado. Largou ambos os tornozelos e o barulho da perna falsa batendo no piso pareceu estranhamente oco. Na mente do atarantado Constantino brilhou a informação que aquela prótese servia de esconderijo para algo… Nem bem pensara essa possibilidade e um bonequinho de Lego saiu de dentro da prótese. O bonequinho se movia, independente. O boneco anda até ele, olha para cima, abre os braços e grita: “Papai!”.

Constantino pisa no boneco e o destrói. Em seguida a porra do bonequinho, aos poucos, começa a se juntar e, como Constantino tinha Lego em casa, o bonequinho se junta nas peças que surgem de todas as gavetas, caixas onde estavam esquecidas e se monta maior. Fica do tamanho do menino viciado em talco e diz com uma voz gultural: Papai?

Contantino pensa em algo que seria poderoso o suficiente para desmontar e destruir as pecinhas de lego e só vem uma coisa na sua cabeça: “Fodeu…” Mas ele continua pensando e não mais do que de repente acorda e percebe que foi tudo um sonho. Ao seu lado, escuta um gemido feminino. Percebe que é uma mulher linda, ela acorda, sorri e lhe diz:

= São R$ 450,00 mais o dinheiro do táxi, gostoso.

Ele se vira para a mulher e responde:

= Você que me deve 500 reais. Como acha que eu ganho a vida?

Por alguma razão bizarra, a mulher deixa o quinhentos migueles em cima da mesa e sai, sem discutir. Constantino tem um certo trabalho para conferir o valor deixado, já que ela o pagou com notas de cinco, um real e moedas. Muitas moedas. No meio das moedas ele encontrou metade de um lápis preto 2B estranhamente familiar. Daí se lembrou. “Caraca, sou desenhista! Acabei de ter esse sonho, é tudo parte de um enredo de HQ!”.

Só então ele percebe que estivera dormindo no Bar 42, onde alguns loucos conversavam, brigavam e bebiam álcool, apenas um bebia leite… Era ele! Era ele quem bebia leite! Aos poucos os traços no desenho diante de si foram se delineando e todo o cenário estava construído a partir da ponta da metade de lápis. O desenho tomou conta do espaço diante dos seus olhos e Constantino pode se ver, ver o balcão, o Zé, os freqüentadores bebendo, discutindo, no canto, ao lado da porta dos banheiros um cantinho escuro um casal se agarrava, alisava, trepava, quem sabe, e tudo não passava de um desenho. Alcione também era fruto de sua imaginação, em outra folha, um outro cenário traçado pelo seu lápis. Ao lado outras folhas, sua prancheta estava repleta delas, folhas A3 com cenários surreais. Alguns esboços pornográficos, outros infantis. Lembrou que os desenhos coloridos ele vendia para uma publicação semanal ‘PINTANDO O SETE’, estava atrasado para entregar uma cópia em P&B e outra idêntica já inserida as cores. Precisava ir aos correios ou ligar para virem buscar os desenhos. Antes tinha que tirar o gosto de cabo de guarda-chuva, um gosto estranho de ser sentido na boca de quem só bebia leite. Não pensou muito nesse detalhe, pois sua atenção estava no desenho de Alcione, colorido, a perna de plástico pintada no tom cor-de-rosa-creme e o tecido almofadado em vermelho. Ao lado da prótese os bonequinhos Lego espalhados pelo chão e sobre a cama um corpo ensangüentado. Tudo finalizado, como se fosse um trabalho sob encomenda pronto para ser entregue ao cliente. Cliente este que era bem exigente, e pagava bem… Bom, não tão bem assim, já que desenhistas que ganham bem não utilizam metade de um lápis preto 2B para desenhar, mas era bem o suficiente para sustentar seu vício em Whisky e pagar suas visitas à psicóloga, por quem ele mantinha uma paixão secreta. Enrolou os desenhos, colocou dentro do pacote e ligou para seu cliente.

= Terminei.

Uma voz fina respondeu do outro lado.

= Ótimo, mandarei Jarbas ir buscar. Está se embebedando no bar 42?

= Err… … Estou aqui sim, mas só até às 16h32m.

= É tempo suficiente. Esteja na porta!

Ele se dirigiu imediatamente para a porta. Esperava quando sua mãe e a gangue de motoqueiras velhas apareceram.

= Para onde vai, mamãezinha?

= Vamos ao shopping! Quer alguma coisa?

= Quero sim. Pode me trazer um jogo de toalhas de banho gigantes?

= Mas para quê, meu filho? Você nunca toma banho…

“Para cobrir seu corpo, te sufocar e arremessar no pântano, velha ridícula” – pensou Constantino.

= Tino! O que houve, filho? Você ficou com um olhar tão perdido… Pensando na Alcione? Ela te deu um fora daqueles, não foi? Meninas, a Alcione trocou o Tino por um Alemão rico, programador de sistemas.

= Nada, mãe. Só preciso de toalhas novas – sorriu cordialmente.

= Certo filhão, mamãe te ama. Cadê meu beijinho?

= Pô mãe… tentou se esquivar mas o rosto gordo estava a um estalo de distancia de seus lábios. “Um dia – pensou Constantino enquanto soltou o estalo – Um dia… Opa! 16h32m! O Jarbas deve estar chegando”.

Sua mãe o irritava, mas irritava a tal ponto que perdia ao menos duas horas por dia, a pensar em formas de matar sua mãe. Matou-a afogada em três rios; Queimou-a em quase todas grandes fogueiras da Europa medieval; Perdeu a conta de quantas vezes a estrangulou até não mais respirar. Mas uma idéia lhe ocorreu às quatro horas da madrugada de terça-feira, um filme no corujão e “catapimba”! O filme, estrelado por Billy Cristal e Danny DeVito, JOGA A MAMÃE DO TREM lhe abriu a mente e decidiu ir pra Japeri, de trem. Ele sabia que em Japeri iria encontrar a solução para seus problemas. Um homem conhecido como Bastião-Amola-Faca, famoso por ter matado a mãe por causa da mistura… diziam que ele odorava gema mole e a mãe deixou passar do ponto. Mas chegando ao afamado lugar Constantino descobriu que a história não passava de estória, o moço nem gostava de ovo. Preparando-se psicologicamente para adentrar o imundo trem de subúrbio e voltar para o conforto de seu lar divisou, com o canto de seus olhos congestionados, a mulata Lindaura. 1,80m de altura, mini-saia vermelha colada nas coxas grossas, busto que pelo tamanho daria para, juntamente com pacotes de bolacha Maria, acabar com a fome na África. Lindaura caminhou em direção a nosso herói. Olhando languidamente em seus olhos a Mulata disse:

= Oi, tem fogo?

= Tenh… te… não… quero dizer… não.

“Droga – pensou Constantino – eu tinha que ter tido a brilhante idéia de parar de fumar logo hoje?” Ele havia prometido a sua mãe que pararia de fumar orégano e ler quadrinhos. Porém, antes que a mulata se afastasse Constantino lembrou das aulas de sobrevivência com o Magaiver e disse:

= Ei! Espere, tive uma idéia!

Então num ato de heroísmo jamais visto arrancou os óculos do velhinho míope ao seu lado e usou-os como lupa para acender o cigarro de Lindaura. Impressionada com tal ato ela disse:

= Estou impressionada!

Deu uma baforada, voltou a olhar languidamente nos olhos de Constantino e perguntou:

= Você conhece mais algum truque interessante, lindo?

= Na verdade não, esse era o único truque que eu sabia para impressionar mulheres. Mas eu tenho uma coleção de figurinhas da década de 70, quer ver?

= Quero – respondeu a jovem.

= Venha até aqui comigo.

E ao levá-la para um canto escuro, eis que surge o Chapolin Colorado de uma das cabines do trem. Olha para eles sem nenhuma languidez nos olhos e fala:

= Por hoje é só, pessoal!

Então toca a musiqueta da WarnerTV e todos se recolhem para suas casas.

FIM