[parte I]

por mais que tentasse lembrar não conseguiria.

a pancada fora suficientemente forte para desnorteá-lo… mergulhando-o numa prazerosa sensação de vinagre e água morna.

ao retornar à superfície daquilo que chamava vida (rotinas e outras coisas percebidas como suas) fitou as mãos estarrecido.

percebeu desconhecidas cicatrizes que momentos antes (minutos? dias?) não estavam lá.

boquiaberto, percebeu um rosto desconhecido a lhe espreitar. Barba… sim ele usava barba… espessa e bem desenhada que harmonizava com as linhas assimétricas do rosto.

percorreu os dedos por entre os cabelos e percebeu que os fios não estavam mais lá.

aproximou-se com cautela do espelho, estudou-se e num bocejo incrédulo, não lembrava de ser careca…

sempre quis (e começou a ter) curtos cabelos ondulados que iam tomando forma, desbotando seu rosto num belo tom cinza prateado.

“agora sim” – pensou com um sorriso.

“como posso ser feito de pedaços?”

[continua…]