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começou a pensar nos pedaços, lugares de junção, onde as cicatrizes tentavam contar uma história… nesse exercício de auto-observação e reconstrução, passou a lembrar de um cheiro específico: eucalipto. quente. infusão.

num rodopio o mundo girou. arremessado num mar de lembranças, viu-se correndo por entre árvores, ouvindo o doce som da voz de sua avó chamando-o para comer um recém preparado bolo de laranja.

inundado por lembranças tenras chorou. chorando começou a lembrar quem era. esvaziando-se compreendeu o porquê de tantos pedaços. as cicatrizes formavam um mapa. um caminho para quem se era. a rota das suas várias existências, construídas com o passar dos anos… um labirinto único e tão particular, sem rota de saída e escapatória. condenado a percorrer, tatear e nunca, nunca se libertar.

meditativo, sentou-se. tentou orar. concentrar-se… mas as lembranças o tragaram e inundaram… o arrependimento do que fez e o que deixou de fazer… os momentos que antecederam a pancada que o desnorteou tomou seu lugar causando um profundo desassossego…

[continua…]

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