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i n t e n s i d a d e

a sombra que me move também me ilumina

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Poesias

Sonoridade

Meus ouvidos pousam na noite dormente como aves calmas
Há iluminações no céu se desfazendo…
O grilo é um coração pulsando no sono do espaço
E as folhas farfalham um murmúrio de coisas passadas
Devagarinho…
Em árvores longínquas pássaros sonâmbulos pipilam
E águas desconhecidas escorrem sussurros brancos na treva.
Na escuta meus olhos se fecham, meus lábios se oprimem
Tudo em mim é o instante de percepção de todas as vibrações.
Pela reta invisível os galos são vigilantes que gritam sossego
Mais forte, mais fraco, mais brando, mais longe, sumindo
Voltando, mais longe, mais brando, mais fraco, mais forte.
Batidos distantes de passos caminham no escuro sem almas
Amantes que voltam…

Pouco a pouco todos os ruídos se vão penetrando como dedos
E a noite ora.
Eu ouço a estranha ladainha
E ponho os olhos no alto, sonolento.
Um vento leve começa a descer como um sopro de bênção
Ora pro nobis…

Os primeiros perfumes ascendem da terra
Como emanações de calor de um corpo jovem.
Na treva os lírios tremem, as rosas se desfolham…
O silêncio sopra sono pelo vento
Tudo se dilata um momento e se enlanguesce
E dorme.
Eu vou me desprendendo de mansinho…

A noite dorme.

(Vinícius de Moraes)

elemental

.

..“Sou uma filha da natureza:
..quero pegar, sentir, tocar, ser.
..
E tudo isso já faz parte de um todo,
..de um mistério.
..Sou uma só… Sou um ser.
..E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
..Creio que sim. Mas vale a pena.
..Mesmo que doa. Dói só no começo.”

[clarice lispector]

Gostaria que ela voltasse.

Quando ela está eu sofro muito,
mas também danço muito.
Sofro 50 e danço 150.
Fico a ganhar 100 de dança.
Por isso é que quero que ela volte. Continuar lendo “Gostaria que ela voltasse.”

Todas as Vidas

Vive dentro de mim

uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…

Vive dentro de mim

a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.

Vive dentro de mim

a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim

a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim

a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.

Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,

Seus vinte netos.

Vive dentro de mim

a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…

Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera
das obscuras!

Cora Coralina

PRESENÇA

[…]
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
Quintana

“Em cada coração há uma
janela para outros corações.
Eles não estão separados,
como dois corpos.
Mas, assim como duas lâmpadas
que não estão juntas,
Sua luz se une num só feixe.”

Jalaluddin Rumi

resumo de dois corações. quem sabe, uma historia que começa ao contrário

♃ [oroboro]

Continuar lendo “♃ [oroboro]”

miércoles ☿

ela,

por que todo poema sempre começa com ela,

tinha algo nos olhos.

não eram. mudavam

felizes ora distantes,

muitos os olhos dela.

tinha uma qualidade,

um barulho próprio,

falava e da sua língua

emergiam silêncios

cheios de gestos suposições maneiras.

percebe nela um gesto que perpassa o tempo?

percebe um algo em toda mulher

que não é dela?

toda mulher é toda mulher dentro de si,

carregam juntas uma dor,

toda mulher cede

do nome uma letra

a outra.

[daniel lima]

latin lover

[devido ao comentário no post abaixo sobre umbigos, lembrei desta musica do João Bosco]

Nos dissemos
que o começo é sempre,
sempre inesquecível,
e, no entanto, meu amor, que coisa incrível,
esqueci nosso começo inesquecível.
Mas me lembro
de uma noite
sua mãe tinha saído,
me falaste de um sinal adquirido
numa queda de patins em Paquetá:
mostra… doeu?… ainda dói?…
A voz mais rouca,
e os beijos,
cometas percorrendo o céu da boca…
As lembranças
acompanham até o fim um latin lover,
que hoje morre,
sem revólver, sem ciúmes, sem remédio,
de tédio.

[umbigo… cicatrizes de estimação… sinaizinhos… detalhes do meu templo… do meu corpo … pode parecer meio estranho, mas… quando começamos a nos considerar seres sagrados… as nossas formas, os nossos detalhes passam a ser… anh, deleitados…

é engraçado e paradoxal: aqui no blog… eu escancaro sentimentos e pensamentos, mas o meu corpinho este é guardado a sete chaves… 😉 ]

suspirante

chagall + meu buddy poke
     A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
     a história de uma estrela
que não tinha namorado.

     Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
     dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

     Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
     e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

     A lua ficou tão triste
com aquela história de amor
     que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!

[leminski]

mmm

“para crescer, me olhar,

me sentir, fiquei muito

tempo comigo.

Agora quero mais

É me repartir:

Enjoei de meu umbigo”

[ulisses tavares] Continuar lendo “mmm”

sobre o tempo . . .

ou “criando um conceito em conjunto” ^^

1. uma imagem que o daniel postou:

2. Um vídeo, que o gabriel compartilhou: Continuar lendo “sobre o tempo . . .”

suspiro…

[II]

O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda, Continuar lendo “suspiro…”

significados

A Cada Qual

A cada qual, como a ‘statura, é dada

A justiça: uns faz altos

O fado, outros felizes.

Nada é prêmio: sucede o que acontece.

Nada, Lídia, devemos

Ao fado, senão tê-lo.

[ricardo reis – almo-gêmeo]


			

experiência

eu sou a minha descendencia genética
sou o ambiente em que cresci
minha família está em mim:

cada história sentida
cada sorriso dado

nanquin.

e a lágrima derramada também

eu sou um pouco de cada pessoa que convivi
um pouco dos lugares que vi
um tantinho assim de saudade

eu sou as alegrias que colhi
e as dores que me obrigaram a crescer.

eu sou um pouco dos meus sonhos
outro tanto dos desejos
um punhado de acalentos

eu nao sou completa
nem quero ser

e quando deixar de ser
continuarei por aí
voltarei à natureza
e passarei a existir.

joguinho [msn]

thåhy diz:

qual eh o sentido do mundo

ha metafisica bastante em nao pensar em nada?

Ricardo Goyanna diz:

se a sua alma não for pequena…

thåhy diz:

ain

1.6m

23g

Ricardo Goyanna diz:

a alma é imaterial, sinês…

21g Continuar lendo “joguinho [msn]”

florbela espanca [msn]

Ricardo Diamante diz:
As quadras dele (II)

Digo pra mim quando oiço
O teu lindo riso franco,
“São seus lábios espalhabdo,
As folhas dun lírio branco…” Continuar lendo “florbela espanca [msn]”

divagando… flutuando…

Caixas de bombons, rosas vermelhas e declarações de amor sob luz de velas comendo caviar?

Por que um romance deve ser assim? Por favor, perdoe-me e compreenda: este não é o meu jeito de romancear. Continuar lendo “divagando… flutuando…”

microconto I

  1. a marca carmim na manga do amado fez a princesa desistir e virar meretriz.
  2. kama-sutra: ama na cama e surta
  3. de três emtrês segundos o peixe muda o prumo devido ao susto do gato a espiar

amiga, finalmente parece que aprendi a pensar de um modo ‘microcontesco’

brigada pela tua influência 😉

espelho

o espelho me reflete

eu – meus olhos

refletem o espelho

talvez eu seja algo

que o tempo deu

defeito.

– x –

meu olho reflete o espelho

o espelho – sua face

inverte meu eu

talvez seja algo

que a vaidade

lapidou

leminski e pessoa: é com vocês!

Subir até o azul,
descer até o inferno,
são coisas simples
que no fundo, eu quero
Ir, sem ir. Ficar,
passando. Passar assim,
como quem passa,
amando.

A viagem que não fiz
dói dentro de mim
assim como a raiz
de uma árvore sem fim.

[leminski] Continuar lendo “leminski e pessoa: é com vocês!”

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