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i n t e n s i d a d e

a sombra que me move também me ilumina

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poesia

Sonoridade

Meus ouvidos pousam na noite dormente como aves calmas
Há iluminações no céu se desfazendo…
O grilo é um coração pulsando no sono do espaço
E as folhas farfalham um murmúrio de coisas passadas
Devagarinho…
Em árvores longínquas pássaros sonâmbulos pipilam
E águas desconhecidas escorrem sussurros brancos na treva.
Na escuta meus olhos se fecham, meus lábios se oprimem
Tudo em mim é o instante de percepção de todas as vibrações.
Pela reta invisível os galos são vigilantes que gritam sossego
Mais forte, mais fraco, mais brando, mais longe, sumindo
Voltando, mais longe, mais brando, mais fraco, mais forte.
Batidos distantes de passos caminham no escuro sem almas
Amantes que voltam…

Pouco a pouco todos os ruídos se vão penetrando como dedos
E a noite ora.
Eu ouço a estranha ladainha
E ponho os olhos no alto, sonolento.
Um vento leve começa a descer como um sopro de bênção
Ora pro nobis…

Os primeiros perfumes ascendem da terra
Como emanações de calor de um corpo jovem.
Na treva os lírios tremem, as rosas se desfolham…
O silêncio sopra sono pelo vento
Tudo se dilata um momento e se enlanguesce
E dorme.
Eu vou me desprendendo de mansinho…

A noite dorme.

(Vinícius de Moraes)

rosa cor

Ganhei uma blusa rosa
que todo mundo olha
e diz que cai bem

Eu caí em mim e pensei
Minha mãe é quem gostava
de me ver assim também

Pintava de cor de rosa
até os fios dos meus cabelos
Imaginava-me impressa
numa série de selos

Saí de rosa-anjo

em procissão do interior
orações e lantejoulas
escorriam com o calor

Depois de grande
troquei meu papel de flor
Arranquei a faixa de miss

Virei de outra cor
Agora limpando o espelho
dos vermelhos sonhos de atriz

Vejo que minha mãe tinha razão
Sou linda de cor de rosa
Tão linda como eu nunca quis.

[amo essa poesia, e não sei de quem é…]

[amei essa imagem…quem fez foi meu querido puffitow… ele se vangloria tanto da caneta para desktop…agora reconheço o pq! 😉 ]

overdose

eu quero morrer duma overdose literária!

a carreira de neruda aspirada

dose extra de pessoa na veia

espanca, florbela minha’lma!

vertendo vinho cala-se cecília

torquato regozija-se
com a dor do pranto

 

com seu jogo-sentimento

leminski ri-se dos medos

desenhado no papel

cummings desflora
minha inocência

 

pétala a página:

 

símbolos de morte-vida

bukowski, velho safado
me roga o cuspe
da crua realidade.

Por isso quando

 

meu corpo inerte

 

encontrares…

 

escrevas em minha lápide:

 

amou intensamente e morreu

 

mil vezes infinito

 

sentimentos não-seus.

[ tive uma overdose literária mesmo…amanheci lendo neruda, depois com bukowski neste site aqui é pedir um colapso! ]

Neruda

Outra das minhas paixões platônicas impossíveis… Neruda provoca meus instintos mais viscerais… uma poesia com tantas cores e temperaturas.

Amo sim. Com fogo…e calor.

Soneto – XXII [in Cem Sonetos de Amor]

Continuar lendo “Neruda”

e.e.cummings

nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas

[não conhecia este poeta americano…
foi paixão à primeira vista….
mais um por hall dos meus amores platônicos-impossíveis
(é, todos estão mortos… com excessão do nando reis )
coisas, coisas da vida.]

[troca de scraps no orkut.]

lipe:

ao ver a estrela fiz um desejo

para que ela iluminasse o caminho da minha nave
pois estou sentindo saudades
das pessoas que deixei em casa
e amanhã poderei voltar ao meu planeta
onde não preciso ver humanos
apenas seres sorridentes que amam em seu silêncio
e desejam com seus olhos
a estrela apontou o caminho mas preciso que alguém me leve
pois meus pés já não andam sem a ajuda de uma mão Continuar lendo “[troca de scraps no orkut.]”

deusa guia

tuas fases
o trançado
minha
vida em ti

meus olhos mortais
lua mítica
a mudar os céus
me fascina.

sentidos e
máscaras
[meu casulo]
minhas intuições guia

refletem em lampejos
um abrigo.
observo do espelho
– este amigo

lua, me consola
serve-me de porto
companheira – prata
vigia.

experiência

eu sou a minha descendencia genética
sou o ambiente em que cresci
minha família está em mim:

cada história sentida
cada sorriso dado
e a lágrima derramada também

eu sou um pouco de cada pessoa que convivi
um pouco dos lugares que vi
um tantinho assim de saudade

eu sou as alegrias que colhi
e as dores que me obrigaram a crescer.

eu sou um pouco dos meus sonhos
outro tanto dos desejos
um punhado de acalentos

eu nao sou completa
nem quero ser

e quando deixar de ser
continuarei por aí
voltarei à natureza
e passarei a existir.

no bar virtual.

cafuné, zé
tive um sonho
ruim

eah
desses sonhos reais
sim

ah, me dá
um copo com água, aspirinas
liga o som

ahm
acho q soundtrack
de filmes de amor

seria bom.

é,
a mocinha sempre chora
e ele sempre sorri
ma volta e meia ela vai embora
deixando o garotão aí
vai entender
mais cafuné
please.

(…)

hmmm… ai zé, essa é de faroeste…
‘the good, the bad and the ugly’…
daqui a pouco entra uma bola de feno mal assombra…
só tem eu e vc no bar

nossa
the god father?

ui, q meda

por aqui
tem máfia?

conta de como
c ganhou a cicatriz
no olho
é!
(…)

poxa…

vertigo não…

saudade desses filmes de suspense
onde as pessoas caíam das escadas

pode olhar e perceber
o jogo de luz claro/escuro
era sinal de que algo importante
ia acontecer. com closes e caras caricatas

uma bala bastava pra matar o inimigo
– sem sangue jorrando na tela

só o som do tiro e do corpo caindo…
suicidios de torres tb eram comuns…

hmmm…lembrei da pobre desdemona…
ah, othelo…como o ser humano pode ser
influenciável pelo medo de não corresponder
às espectativas de outrem…

como pode se auto-enganar…
pois ele duvidava e relutava
mas deixou-se levar…
nas teias de intrigas do invejoso…

é, pobre desdemona.
miserável othelo.

é zé…um brinde a shakespeare…

bjk, deixa q apago a luz procê

– c l i c

complemento

vermelho laranja rosa
lilás azuis e negro

ou

negro azul lilás

amarelo laranja vermelho?

o sol
no céu

é sempre
intenso.

f a s e p o e t i c a

levanto vôo

Sigo rumo ao entardecer
nesses céus alaranjados
passo sobre
prédios
avenidas e
pessoas

Liberdade é voar
preocupar-se somente
com o cair da noite
e me aninhar

Pouso no papel
pego meu lápis
e ponho-me a escrever

Ah! Que maravilha viver
imaginar e
sonhar.

Intrigante

Recebi o livro do meu querido amigo poeta… confesso que por diversas vezes tive que parar e voltar a respirar, pois além de ser um livro repletos de poesias viscerais, existem aquelas que nos roubam as palavras da boca com um longo suspiro… quais sentimentos que me arrebataram ao lê-lo, página por página? indignação? pessimismo? minha alienação?… é simplesmente intrigante sentir-se impelida a ler cada verso, cada linha e se enxer de questionamentos… tenho pena só do Rafael que agoniza para escrever cada uma daquelas linhas repleto de sentimento e incoformismo… é intrigante!

Deixo aqui uma que me tocou…

I

Ainda sou o menino que se estacava diante dos muros do cemitério e temia não os túmulos ou os ossos pálidos que eles encerravam, mas, sim, sua altura e sua palidez de cal virgem.

Ainda sou o menino que não compreendia a necessidade de muros tão altos em um cemitério, já que o que ali havia sido plantado não germinaria nunca.
A diferença é que mataram a minha infancia e inocencia ao drenarem o brejo no qual caçei rãs, peixinhos coloridos e brincava com os caramujos da esquistossomose…

A diferença agora é que a propriedade privada decretou todos os matos terem donos, todos os brejos serem particulares e todos os caramujos serem de outros.

Só não é de outro a fome, a despensa vazia e o pãozinho que ontem amanheceu mais caro.

[confuso]

o sono
uma lágrima
O bocejo
É lampejo
que rima.

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